Eric Clapton: A Autobiografia

eric-clapton-biografiaÀs vezes eu tenho a impressão de que todos os roqueiros são iguais, se não de fato, pelo menos no retrato que é feito deles. Vá lá ver, por exemplo, o Jim Morrison do filme com o Val Kilmer, e compare com o Jimi Hendrix do Wood Harris, o Johny Cash do Joaquim Phoenix, ou o Jerry Lee Lewis do Dennis Quaid: são todos o mesmo personagem, com o mesmo olhar perdido, a mesma inércia ao cuidar da própria vida, os mesmos dramas com drogas, groupies e família, apenas em embalagens diferentes. Há alguma legitimidade, no entanto, quando é o próprio artista se retrata dessa forma, como é o caso do Eric Clapton nesta autobiografia.

Não há muito mais o que falar a respeito, na verdade. Biografias são talvez o gênero literário mais sujeito aos ditames do gosto pessoal, uma vez que, se não houver qualquer interesse no personagem retratado, realmente não há muito mais que chame atenção para elas. E é inegável que, como amante de blues e dublê de guitarrista que sou, tenho muito interesse na carreira dele; concordo em algum nível com aquela frase muito em voga na década de 60, que dizia que Clapton é Deus. É claro, portanto, que a minha avaliação é total e absolutamente parcial.

O que também não quer dizer que ela seja descartável, no entanto, uma vez que, independente do personagem retratado, Eric Clapton: A Autobiografia possui muitas virtudes dentro do gênero também. A começar justamente por ser uma autobiografia, e não uma escrita por um terceiro – normalmente, costumo ter um tanto de cuidado ao ler biografias, uma vez que é muito fácil para o autor cair em armadilhas como anacronismos ou argumentos teleológicos, além de ficcionalizar demais o personagem retratado; quando é a própria pessoa retratada que a escreveu, no entanto, essas armadilhas são facilmente passáveis, uma vez que, se não pela própria versão dos fatos contados (que certamente se encontram no ápice da parcialidade), as próprias impressões e comentários a respeito deles já ajudam a compreender o autor mais do que a sua história. E é inegável que Clapton é uma pessoa inteligente, e sem medo de reconhecer os erros que cometeu; seus comentários a respeito da própria carreira, do universo musical que o cercou por mais de 40 anos, e a sua conturbada relação com drogas e com o álcool, são honestos e profundos, e em alguns momentos até surpreendetes.

Enfim, Eric Clapton: A Autobiografia, apesar do nome sem nenhuma criatividade, é um livro indispensável para interessados em história da música, fãs de Clapton e fãs de blues, rock e o que mais tenha sido feito nos últimos 40 anos no mundo da música pop. O que deveria ser a mesma coisa de qualquer forma, na minha opinião.

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