Com calma, cuidadoso, o viajante conferiu a regulagem da roupa de proteção. Em meio à vastidão silenciosa que o cercava, um único erro poderia ser fatal; sem problemas aparentes, seguiu atrás do guia, flutuando pelo vácuo sonoro. A profunda imensidão daquela ausência de som era melancolicamente poética. Milhares de anos-béis havia em todas as direções antes que se pudesse sentir o menor sinal de uma onda sonora viajando pelo espaço.
O guia parou subitamente, e fez um sinal para dobrarem. O viajante tentou segui-lo, usando de toda a destreza possível no desajeitado traje de sononauta, mas um rasgo se abriu na roupa, deixando-o desprotegido contra a fluxo de som que fugiu para a região. Sentiu o grito correndo pelo corpo, subindo em direção à garganta, fazendo os lábios tremerem com a sua aproximação; a face se contorceu, desesperada – bastavam mais alguns segundos e não seria possível segurá-lo.
Mas o guia se aproximou, tapando o buraco com a mão e logo fechando-o com uma mordaça adesiva. O viajante suspirou aliviado, e seguiu adiante na viagem guiada por aquele infinito silencioso.

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