Delivery Service of Corpse é um mangá estranho de ver lançado por aqui. Não é nenhum fenômeno pop ou mega projeto de licensiamento como Cavaleiros do Zodíaco, Naruto, One Piece e outros tantos; e não é uma obra de público garantido como Lobo Solitário, nem que traga algum nome consagrado estampado na capa, como o de Akira Toryiama ou do estúdio CLAMP. O próprio tema dele é um pouco estranho, envolvendo cultura e religião orientais, repleta de referências a locais tradicionais do Japão e preceitos budistas; é, em um primeiro momento, uma história para otakus, ou pelo menos pessoas que tenham algum conhecimento superficial a respeito da cultura japonesa ou não se importem de ficar lendo notas de rodapé a toda hora. Mas não é uma história infantil ou juvenil – o gênero é o terror, e ela é repleta de cenas fortes e roteiros macabros, de forma que é justamente recomendada para maiores de 16 anos.
À parte por isso e pelo título nacional em inglês, no entanto, é uma série bastante original e criativa, e realmente consegue oferecer algo de novo e diferente. Os personagens principais são estudantes desempregados que, se aproveitando de algumas habilidades especiais que possuem, montam uma empresa de entregas incomum – a sua especialidade é a de descobrir e resolver os últimos desejos de pessoas mortas, sempre em troca, claro, de algum tipo de pagamento. O tema sobrenatural com toques orientais é bem interessante, e já foi mesmo inspiração pra outras coisitas largadas por aqui.
Os roteiros também são interessantes e bem bolados, carregados no humor negro e em situações bizarras, mas sem deixar de serem maduros e adultos. Muitas vezes são até um pouco pesados e sombrios, com alguns momentos meio perturbadoras. Outro ponto positivo é que não há exatamente uma mega-saga que o obrigue a comprar todas as edições em seqüência para entender o que está acontencendo; a série é feita de histórias fechadas (chamadas de “Entregas”), com começo, meio e fim, de forma que você pode comprar qualquer edição avulsa e entender o que está acontecendo. Há várias histórias pequenas no primeiro e terceiro volumes, e uma única história contínua dividida em sete partes no segundo, e imagino que os seguintes, se forem lançados por aqui (visto os problemas recentes por que tem passado a editora Conrad), devem seguir formatos semelhantes.
A arte também é bastante boa, com um traço mangá típico mas bem detalhado quando necessário; as cenas com cadáveres e zumbis são especialmente marcantes. Todo o design das edições também merecem destaque – a se notar pela capa, que se destaca facilmente nas bancas; foi o que chamou a minha atenção em primeiro lugar.
No fim, o saldo de Delivery Service of Corpse é bastante positivo. Ele consegue ir além das otakices e nipofilias e oferecer histórias bacanas, adultas e originais, com um nível de bizarro e incomum que tende a me agradar. Enfim, eu gostei, pelo menos.

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