Radiata Stories é um RPG eletrônico lançado pela SquareEnix e desenvolvido pelo estúdio Tri-Ace, o mesmo da série Valkyrie Profile e outros que eram lançados pelo lado Enix da empresa antes da fusão. O jogo acompanha as aventuras de Jack Russel, um jovem aspirante a cavaleiro do reino medieval fantástico de Radiata, enquanto ele se envolve com toda uma rede de intrigas e acontecimentos que irão abalar o relacionamento do reino com as nações não-humanas que existem à sua volta. É, enfim, aquela velha história de sempre – a do adolescente idealista e com mais sorte que juízo que acaba por salvar o mundo; mas é certamente desenvolvida com eficiência, com personagens bem caracterizados, algumas referências bacanas à histórias clássicas de fantasia, bons momentos cômicos, e alguns temas delicados discutidos superficialmente, como religião, moral, ética e política.
O sistema de jogo é bem legal. As batalhas ocorrem em tempo real, com o jogador assumindo o papel de Jack enquanto recebe apoio de até 3 outros personagens controlados pelo jogo, e até quatro tipos de armas diferentes que o protagonista pode usar, cada uma delas com seu próprio conjunto de golpes comuns e especiais. A parte mais divertida, no entanto, é o sistema de Links – formações especiais de batalha que os personagens assumem para enfrentar oponentes em superioridade numérica. Você pode deixar todos lado a lado para enfrentar oponentes que cheguem de frente, organizá-los em fila indiana caso os inimigos o cerquem, fazê-los cercar um único inimigo, e daí por diante. O grande contra nesse ponto é que as batalhas tendem a ser bastante fáceis, com exceção de alguns poucos chefes opcionais nas últimas side quests a serem completadas.
Até aí, no entanto, também não temos nada realmente digno de nota – outro RPGzim de videogame bacana, mas não muito além disso; o verdadeiro fator viciante do jogo é outro. Toda a cidade de Radiata e o mundo à sua volta foram construídos de forma a seguirem um padrão fixo de tempo e acontecimentos. Há um ciclo constante de dias e noites, com as horas no jogo passando à medida que você explora o mundo; as lojas possuem horários para abrir e fechar, e todos os habitantes seguem suas próprias rotinas habituais de coisas a fazer, problemas a resolver, etc. Praticamente todo personagem encontrado no jogo possui um nome e uma imagem própria, com pouquíssimas exceções, e a grande maioria deles é recrutável para o seu grupo – ao todo, são quase 200 personagens jogáveis, mais até do que a série Suikoden, da Konami.
E essa é, sem dúvida, a parte mais divertida de Radiata Stories. Principalmente para quem gosta de rolar uns d20s (ou outro equivalente) de vez enquando, acompanhar a rotina diária desse mundo fantástico, conhecendo o tempo todo novos personagens, relações e situações, é muito divertido e viciante. Então, se vocês me dão licença, eu tenho que ir visitar alguns elfos.
De tudo que se pode criticar, xingar, desmerecer, desprezar ou o que for a respeito dos nazistas, um mérito, sem dúvida, não se pode tirar deles: a sua inegável contribuição à ficção ocidental. Não exatamente como produtores e autores de filmes, livros ou afins, mas principalmente como personagens – tanto os fatos concretos como as dezenas de milhares de histórias que surgiram a seu respeito criaram uma mitologia própria, e ofereceram uma gama de personagens trágicos e vilões sádicos tão funcionais e onipresentes que fica difícil imaginar como seriam os últimos 60 anos de filmes, romances e quadrinhos não fosse o cara do bigodinho esquisito e sua turma de alemães alucinados, de Indiana Jones a Hellboy.
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