O mundo se revelava em um instante de harmonia suprema. As árvores mexiam vagarosamente, mais pela própria vontade do que pelo vento que as importunava. O vôo dos pássaros desacelerava até o ponto da inércia absoluta. O peixe que pulava para fora do lago parecia flutuar, o movimento interrompido como em uma estátua suspensa no ar. Todos os deuses de todos os mundos se viraram para o mesmo lugar, curiosos para observar aquele momento mais que divino, mais que mágico, mais que transcedental: um novo mestre iluminado se elevava da existência, liberto pela revelação súbita da verdadeira natureza do universo. Sentado no jardim, abaixo de um teto de madeira, sobre uma almofada envelhecida e frente a arbustos floridos, ele abriu os olhos, para o espanto generalizado de todos os seres.
- Hora de procurar algo melhor para fazer. – disse para si mesmo, levantou e foi embora do templo.

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