Live at Montreux

517GCX5DQWLBueno, como começar a falar de Rory Gallagher? Poderia dizer que tempos atrás eu costumava dizer por aí que acreditava em deus, e o nome dele era Stevie Ray Vaughan; e, bem, o velho Rory me fez rever minha fé. Ou que, segundo reza a lenda, perguntaram certa vez a Jimi Hendrix como ele se sentia sendo o melhor guitarrista do mundo, ao qual ele prontamente respondeu “não sei, você devia perguntar a Rory Gallagher”. Ou então que o som dele não pode ser adequadamente descrito, mas precisa ser ouvido. Ou ainda dezenas de outras frases feitas que, no fim, só servem para mascarar a verdade fundamental: simplesmente não há adjetivo que descreva adequadamente o som que ele fazia, que vai além da simples fruição mundana e adentra fundo nas raízes do espírito roqueiro que existe dentro de qualquer um que já tenha encostado em uma guitarra.

Rory Gallagher, para quem não souber, é um guitarrista irlandês de blues e rock dos anos 70 – pois é, existe música na Irlanda antes do U2, e não estou falando de Van Morrison. E acho que só mesmo essa origem na periferia do rock mundial para explicar porque ele é menos conhecido do que um Eric Clapton, Jeff Beck, Jimmy Page ou, bem, quem quer que seja; é mais desculpável do que o caso do Wishbone Ash, pelo menos. E mais do que um estilo de guitarra exuberante e absurdo – além de irritante também, vamos admitir, quando paramos para pensar que nunca conseguiremos tocar um centésimo do que ele toca com tamanha naturalidade -, Rory também tinha uma presença de palco impressionante, com aquele magnetismo natural dos grandes artistas e a atitude provocante esperada de qualquer um que honre o rótulo que leva.

E tudo isso é o que se vê nesse DVD duplo com apresentações dele no festival de jazz Montreal desde 1975 até a última antes da sua morte, em 94: um Robert Plant de guitarra, Jimi Hendrix irlandês, Chuck Berry dos anos 70, andando de um lado para o outro com a guitarra na mão, tirando riffs magnéticos e solos absurdos, de Secret Agent a Do You Read Me a Moonchild a todo o resto, acompanhado ainda por uma banda que também esbanja competência e virtuosismo, quase tanto quando ele próprio. Talvez possa se encontrar algum defeito na qualidade da imagem, que realmente não é das melhores nas gravações mais antigas; não só a luz atrapalha como a própria câmera às vezes se perde nos ângulos, ou então foca um dos músicos quando outro está solando em primeiro plano. Mas não é nada que estrague as exuberantes apresentaçãos de Rory, um músico brilhante e roqueiro quintessencial em todos os sentidos.

Enfim, acho que a última coisa que posso dizer sobre Rory Gallagher, e talvez a única que realmente faz jus a tudo o que ele tocava, é: ouça.

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