Bastardos Inglórios

inglouriousbasterds_03Já comentei, em outro momento, sobre o legado nazista para a ficção ocidental. Resumindo, não se trata do legado deixado pelos próprios escritores alemães do período, senão deles como personagens – são, provavelmente, os vilões mais fáceis do último século, seja em literatura, quadrinhos, cinema ou o que for; mesmo em discussões virtuais, a famosa Lei de Godwin sobre analagias ao nazismo demonstra bem como eles são demonizados e bestializados, ao ponto de terem o poder de encerrar qualquer discussão. Bastardos Inglórios, o último filme de Quentin Tarantino, mais do que uma prova, é uma ode consciente a essa idéia.

Em uma análise mais superficial, o filme faz um belo pastiche (sempre lembrando que eu não vejo isso como um demérito) de histórias sobre nazistas. Há todos os elementos principais – a opressão aos judeus, a espionagem e os agentes duplos, até a participação de personagens célebres, do ministro da propaganda Goebbels a um cômico Hitler com mania de imperador. Some-se a eles, ainda, aqueles típicos personagens tarantinianos, assassinos profissionais estilizados e sem pudores em abusar da violência, aqui representados pelos Bastardos Inglórios do título, uma milícia de judeus enviados pelos Estados Unidos à França ocupada para aterrorizar os oficiais alemães. O resultado, é claro, é muito divertido, ao menos para quem não estiver esperando algum tipo de drama histórico sério e edificante (até porque, convenhamos, é um filme do Tarantino, e não Ron Howard).

Tecnicamente, Bastardos Inglórios beira a perfeição. Como é típico do diretor, há um cuidado obsessivo com a forma, desde a trilha sonora, outro pastiche de temas cinematográficos (incluindo, é claro, Ennio Morricone), até o enquadramento das cenas. Diferente de um Kill Bill, no entanto, a maioria dos conflitos não são físicos, mas psicológicos, com aqueles diálogos de ritmo cuidadoso e recheados de frases de efeito que também são marcas do Tarantino. E os atores não poderiam estar mais perfeitos, com destaque para o Brad Pitt como o tenente Aldo “O Apache” Raine, líder dos Bastardos, e em especial o austríaco Christoph Waltz como o detetive nazista Hans Landa, que simplesmente rouba a cena sempre que aparece.

Bastardos Inglórios, enfim, é um filme muito divertido, provavelmente o que eu mais gostei entre os (poucos) que vi este ano. Recomendo.

3 Responses to “Bastardos Inglórios”


  1. 1 Kenia Cris 17/10/2009 às 18:26

    Ahm, muito bom ler essa resenha tão bem escrita. Nada tem prendido tanto a minha atenção atualmente como um blog bem escrito. Estou passeando por aqui e descobrindo mais do seu horizonte – vai me ver muito ainda nas estatísticas do blog. =)

    Vou assistir o filme na segunda-feira. Agradeço desde já pelo olhar.

    Beijo carinhoso.

  2. 2 Bruno 22/10/2009 às 00:00

    heheh, valeu, e volte sempre =)


  1. 1 The Black Company « Rodapé do Horizonte Trackback em 02/08/2012 às 21:59

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




Sob um céu de blues...

Categorias

@bschlatter

Estatísticas

  • 172,568 visitas

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

%d blogueiros gostam disto: