Shadow of the Colossus

1131391666-00Eu não sei quanto a vocês, mas eu, pelo menos, adoro aquelas animações japonesas antigonas, inspiradas em lendas tradicionais, como O Pequeno Príncipe e o Dragão de 8 Cabeças, por exemplo. Acho bacana a arte estilizada, a aventura grandiosa e ao mesmo tempo despretensiosa, e, principalmente, o tom de fábula, como se fosse uma história mítica de heróis ancestrais contada oralmente por gerações antes de chegar até nós. O já clássico Shadow of the Colossus é um jogo que consegue como poucos criar um clima semelhante de aventura campbelliana.

Ele começa de maneira bastante simples: um guerreiro chega em um templo e coloca sobre o altar o corpo de uma mulher. Seu objetivo é fazer com que os deuses do templo, que dizem possuir o poder de recuperar almas perdidas, ressucitem-na, pois ela foi morta injustamente. Para que realizem o desejo, no entanto, os deuses impõem ao guerreiro uma missão: destruir as estátuas de monstros mitológicos que ornamentam o templo. Estas estátuas não podem ser destruídas por mortais, mas cada uma está interligada a um gigante que vive nas terras ao redor; mate o gigante, e a estátua correspondente irá se desfazer.

E lá vai o nosso herói cavalgar por vastas planícies, montanhas e florestas atrás dos gigantes místicos que protegem as estátuas do templo. O jogo basicamente se resume a isso: levante sua espada ao sol para ver a direção em que a luz refletida aponta, monte seu cavalo e vá até lá, passe algumas vezes por um pequeno desafio de habilidade no velho estilo de jogos de plataformas, e, por fim, enfrente o gigante. Parece chato e repetitivo? Bem, definitivamente não é.

Não é um jogo de ação, é claro – não há nada de enfrente os milhares de monstros menores no seu caminho até chegar ao grande chefe da fase ou coisa parecida. É um jogo de aventura; lembra um pouco o Prince of Persia original, mas com gráficos 3D e trocando os guerreiros árabes por gigantes e os castelos e masmorras persas por planícies, montanhas, florestas e ruínas perdidas. O minimalismo é extremo: não há um som desnecessário, nem um único exagero no visual ou na jogabilidade. Tudo, da ausência de trilha sonora na exploração até os longos caminhos a serem percorridos, é feito para reforçar o clima de solidão, e destacar os verdadeiros astros da aventura – os gigantes a serem derrotados.

Cada gigante funciona como um quebra-cabeças em movimento, requerendo uma estratégia diferente para se chegar ao seu ponto fraco, muitas vezes exigindo que você utilize não apenas suas armas mas todo o ambiente ao seu redor, resultando em batalhas variadas e recompensadoras. Os gráficos são bons, apesar da câmera atrapalhar algumas vezes, e a trilha sonora orquestrada, fazendo então sua entrada triunfal, é simplesmente sublime, assumindo um tom épico e emocionante, e fazendo você se sentir um Beowulf ou Teseu enfrentando bestas mitológicas. Chega-se a ficar com pena quando um deles morre.

Shadow of the Colossus, enfim, é um jogo fantástico, uma experiência única em videogames, mas não sei dizer se pode ser apreciado por qualquer um. Não tem ação pirotécnica, jogabilidade inovadora, ou um enredo complexo e cheio de reviravoltas inesperadas. Há até quem reclame da sua falta de replay value, dizendo que, após matar os gigantes a primeira vez, você já sabe como fazer, e não há mais porque jogar de novo. Bobagem, na minha opinião – a combinação de aventura fabulesca, combates emocionantes e trilha sonora perfeita o tornam um jogo empolgante e cativante, além de bastante inspirador, que, mesmo nas segundas, terceiras, quartas ou quintas vezes ainda consegue divertir e causar o mesmo maravilhamento da primeira. Para quem ainda não jogou (e o que está esperando?), acho que merece ao menos ser experimentado.

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8 Responses to “Shadow of the Colossus”


  1. 1 d.darkangellus 17/10/2009 às 02:51

    Eu também concordo, o jogo é realmente bom e altamente inspirador.
    A história não é das melhores, mas os combates são interesantes para jogos de rpg de fantasia medieval, principalmente se deseja algo voltado para combates épicos.

    Abrçs e Bons jogos!

  2. 2 willian marinho 12/02/2012 às 20:00

    Cara, cheguei até a metade do jogo, e não consegui terminar por falta de tempo. E me arrependo muito por não terminar e ver o final antes disso OO.

    Mas até onde joguei, é fantástico. Apesar de ter acostumado com os games mais atuais, cheios de coisas para resolver, o jogo tem tudo o que precisa pra ser marcante.


  1. 1 Dragões « Rodapé do Horizonte Trackback em 06/02/2011 às 13:28
  2. 2 Final Fantasy XIII « Rodapé do Horizonte Trackback em 23/03/2011 às 22:25
  3. 3 Journey « Rodapé do Horizonte Trackback em 31/03/2012 às 12:38
  4. 4 Dragon’s Dogma « Rodapé do Horizonte Trackback em 12/08/2012 às 01:18
  5. 5 Antes do Fim do Mundo » Resenha: Dragon’s Dogma Trackback em 04/10/2012 às 10:10
  6. 6 Okami HD | Rodapé do Horizonte Trackback em 20/10/2013 às 00:37

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