Chuáááá…. Chuáááá… Chuáááá… As ondas chegam até a beira da praia, e voltam para o mar. O sol recém nasceu: apenas alguns metros de areia me separam do mundo, mas – ah! – quantos anos-luz parecem! Jamais seria longe o bastante, no entanto, e aquele momento eterno em que tudo faz sentido nunca dura o suficiente, nem a praia deserta no centro do universo é deserta o suficiente.
Tec tec tec… Tec tec tec… As teclas ecoam pela sala vazia. A música terminou: resta apenas o vácuo melancólico que se segue à última nota. Onde está o sol? Onde estão as dunas de areia que me protegem de tudo? Estou no meio do mundo, mas ao mesmo tempo tão distante. Aquele momento efêmero nunca é passageiro o bastante, e nada parece haver em mim além das ondas chegando até a beira da praia e voltando para o mar…. Chuáááá… Chuáááá… Chuáááá…

Que coisa, também escrevi sobre o mar.
Mar me traz a cabeça tranquilidade e solidão.
Pois é. Já li algo a respeito da freqüência das ondas na praia ser a mesma das batidas do coração, ou alguma coisa parecida que tenta explicar. Verdade ou não, cada vez mais me convenço de que eu devia ter sido pescador…
Vivendo na beira do mar e comendo peixe e camarão.