Iniciativa 3D&T Alpha – A Espada do Poder

O tema da vez na Iniciativa 3D&T Alpha é espadas. Resolvi, então, revisitar um dos meus cenários de fantasia favoritos, a Bas-Lag de China Miéville, e apresentar um dos artefatos que aparecem nos seus romances: a Espada do Poder, arma do pirata Uther Doul no livro The Scar.

A Espada do Poder
A Espada do Poder (Might Sword, no original), ou Espada do Possível (Possible Sword), é uma arma datada do Império da Cabeça Fantasma (Ghosthead Empire), uma civilização de seres extradimensionais que dominou grande parte do mundo de Bas-Lag mais de três mil anos no passado, e que possivelmente também tenha tentado (e ainda tente) invadir outros mundos e universos. Desde o seu fim, no entanto, ela se tornou uma espécie de artefato lendário, que aparece e desaparece em histórias, mudando constantemente de dono. Seu último usuário conhecido é o pirata Uther Doul, da cidade flutuante de Armada.

A arma é uma espada de cerâmica em estilo antigo, com uma série de fios saindo do cabo e ligando-a a uma espécie de bateria, que normalmente é presa pelo usuário na cintura. Seu nome, ao contrário do que sugere em um primeiro momento, não se refere a poder no sentido de força ou capacidade sobrenatural, mas sim no sentido de possível, do que pode ou não acontecer. Ele faz menção, assim, à sua principal habilidade, a de realizar, simultaneamente, todos os ataques que seriam possíveis de serem realizados.

A espada é normalmente uma arma mágica que concede ao personagem um bônus de F+2, além de ser considerada Perigosa (como a vantagem para Ataques Especiais: sempre que a está usando, o personagem consegue um acerto crítico com 5 ou 6 na jogada de FA). Seu verdadeiro poder, no entanto, se revela quando a bateria conectada ao cabo é ativada, o que requer o uso de um movimento, ligando a sua propriedade especial: a de ser uma arma do possível.

Arma do Possível (40 PEs). Esta é uma nova habilidade que pode ser aplicada em armas mágicas e especiais, que utiliza a ciência esquecida da mineração de possibilidades (veja adiante). Quando o personagem a ativa, uma miríade de braços fantasmagóricos se materializa a partir do ombro do personagem, como se fossem duplicatas do braço empunhando a arma, e ele passa a realizar, cada vez que ataca um determinado alvo, não apenas um ataque, mas todos os ataques que poderia estar realizando contra ele – acertando, ao mesmo tempo, a cabeça, membros, tronco, e até errando alguns deles. Em regras, o personagem deve jogar normalmente a sua FA a cada rodada; mas, além do resultado do dado, ele também realizará contra o alvo cinco ataques extras, com cada outro resultado possível.

Por exemplo, digamos que ele rolou um 4 no dado da FA. O seu ataque principal, assim, será realizado com FA igual a F + H + 4. Além dele, no entanto, ele também realizará cinco ataques extras, com FAs iguais a F + H + 1, F + H + 2, F + H + 3, F + H + 5 e F + H + 6. Note que nenhum deles deve ser tratado como um acerto crítico – apenas o ataque principal pode ser um, se for o resultado do dado. O alvo deve jogar a FD apenas uma vez, e ela será a mesma contra cada um dos ataques recebidos.

Utilizar esta habilidade, no entanto, requer algum cuidado e prática – afinal, se o personagem realiza simultaneamente todos os ataques possíveis, é preciso evitar que sejam possíveis ataques que abririam a sua guarda, ou que atingiriam o próprio personagem em um erro não calculado. Assim, utilizar uma arma do possível ativada sempre requer que o personagem utilize a sua rodada completa para atacar, ocupando tanto a sua ação como o seu movimento.

Além disso, ela só pode ser utilizada com força total por personagens que não saibam utilizar corretamente a arma em questão, uma vez que o objetivo do treinamento, geralmente, é justamente o de diminuir a quantidade de ataques possíveis – você só quer ter a possibilidade de um ataque, aquele que vencerá o seu oponente. Por isso, para ter direito a todos os ataques extras, o personagem deve obrigatoriamente receber um redutor de F ou PdF -1, como se tivesse trocando a sua personalização de dano, mesmo que a arma seja de um tipo de dano que ele saiba usar (nesse caso, ele deve voluntariamente ignorar o seu treinamento para aumentar o número de ataques possíveis).

Por fim, usar uma arma do possível é uma atividade cansativa, uma vez que o personagem acumula a fadiga de todos os ataques que realizou. Assim, ao fim do combate, ou quando a arma for desativada, ele estará exausto, recebendo um redutor de -1 em todas as suas características durante uma hora. Caso precise utilizar a arma novamente neste período, os redutores se acumulam.

Como regra opcional, caso considere esta uma habilidade muito estranha ou poderosa, o mestre pode considerar que ela é também exótica e rara, por utilizar preceitos e técnicas de uma ciência esquecida. Por isso, mesmo que possua uma arma adequada, o personagem só poderá utilizá-la com o seu poder total se tiver algum conhecimento sobre o seu funcionamento, o que requer a perícia Mineração de Possibilidades, descrita a seguir.

A Mineração de Possibilidades
Mineração de possibilidades (possibility mining) é uma das ciências fantásticas do mundo de Bas-Lag, que lida com as probabilidades, possibilidades e, mais especificamente, como torná-las reais. Ela foi desenvolvida pelo Império da Cabeça Fantasma, e muito do seu domínio sobre o povo de Bas-Lag no passado se deu graças a estes conhecimentos. Ainda hoje há uma grande cicatriz dimensional no lugar onde estes seres invadiram o mundo, um ponto no oceano milhares quilômetros distante de qualquer continente habitado, onde é possível vislumbrar e se conectar a dezenas de realidades possíveis.

Basicamente, a mineração de possibilidades pode ser usada para tornar real qualquer coisa que seja possível de acontecer. Isso não pode ser feito, é claro, espontaneamente – é necessário um maquinário pesado, alimentado por grandes quantidades de energia, e que permita ao cientista vislumbrar as possibilidades disponíveis e escolher aquelas que lhe interessarem, trazendo-as para o seu mundo. A maioria destas máquinas, no entanto, hoje se encontram perdidas, muitas vezes destruídas ou desmanteladas em ruínas do velho império. As armas do possível são apenas um exemplo desta tecnologia; outros itens que lidam com mineração de possibilidades e podem ser encontrados incluem instrumentos musicais e alguns artefatos mais cotidianos.

Em jogo, você pode considerar a mineração de possibilidades de duas formas distintas. A primeira é como uma ciência comum, mesmo que exótica, que pode ser estudada e aprendida normalmente por personagens cientistas e afins. Neste caso, você pode considerá-la como uma simples especialização da perícia Ciências, que faz parte da perícia completa ou pode ser adquirida separadamente.

Alternativamente, no entanto, ela também pode ser uma ciência esquecida, um conhecimento perdido de uma civilização morta. Neste caso, ela não pode ser incluída em conjunto com as outras ciências normais – deve ser considerada uma perícia à parte, custando 2 pontos, e com especializações próprias, como Teoria das Possibilidades, Tecnologia de Possibilidades, Combate de Possibilidades (necessária para utilizar as armas do possível corretamente), Música de Possibilidades, etc. Se achar adequado, o mestre também pode proibir que ela ou suas especializações sejam adquiridas na criação dos personagens, só estando disponíveis para serem compradas durante a campanha, com Pontos de Experiência, à medida que o grupo entrar em contato com artefatos deste império esquecido.

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Estalagem do Beholder Cego – Mestre da Lâmina
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2 Responses to “Iniciativa 3D&T Alpha – A Espada do Poder”


  1. 1 Ricardo Peraça 16/04/2010 às 19:22

    Muito fod*! Poste mais sobre os cenários de China Miéville, ele leva a fantasia aos seus limites!

  2. 2 Bruno 20/04/2010 às 01:18

    Bas-Lag é um cenário muito legal mesmo. Mas eu não tenho muito pique de adaptar ele todo =P No máximo, se surgir a oportunidade em algum tema da Iniciativa (ou se eu tiver alguma idéia legal pra adaptar), eu posso aproveitar mais alguma coisa dele.

    Em todo caso, parece que lá fora tem um RPG inspirado nos livros do Miéville em produção. Acredito que deva sair esse ano ainda…


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