O viajante se recostava sobre uma parede, esperando um momento passar, quando a viu outra vez: a sombra daquele passado perdido, que havia deixado para trás em outro devaneio qualquer sobre futuros inexistentes. Ela passou rapidamente pela sua frente, como se não o visse, ou não o reconhecesse.
Mas ele a reconheceu, e de súbito tudo aquilo que deveria estar afogado nas marés do inconsciente subiram novamente à superfície. Se viu outra vez confuso e perdido, enquanto sonhos havia tanto superados tornavam a atormentá-lo; quis alcançá-la, iluminá-la, agarrá-la, levá-la consigo – apenas não queria perdê-la outra vez.
Mas perdeu. Olhou-a uma última vez, virou para o caminho oposto e seguiu sua viagem sem rumo certo pelos cantos perdidos da consciência.

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