Nuvens coloridas, luzes piscando e um céu rodopiando: assim era o Passado. Sons se misturavam aos movimentos, formando uma massa quase sublime de tontura e desequilíbrio. Era como se todos fossem o centro de tudo, ao mesmo tempo.
O viajante foi absorvido pelo ambiente, levado pela onda de drinques que o atingiu. Era difícil dizer onde estava, ou o que fazia – apenas esbarrava em tudo, de um lado, do outro. Era cercado por lapsos: tudo ficava escuro, tudo ficava vazio, e então tudo voltava ao normal, ou tão normal quanto poderia. Havia risos – escuridão – luzes. Voz – vazio – pessoas. Braços – nada – chão. Lábios – espaço – pernas.
E então acordou. Perdido, tonto, ele olhou em volta e reconheceu uma parede, um teto. Mas que parede, que teto? Virou-se mais uma vez, e deparou-se com um dedo, que lhe tocou os lábios como quem pede silêncio. Antes que pudesse discernir outra imagem, ouviu uma voz sublime, melódica, ecoando pelo mundo, como que vindo de todo lugar:
- O que acontece no Passado, fica no Passado. – e sumiu junto com todo o resto.

Grande sabedoria.