Rambo IV

Não é necessário fazer qualquer introdução ao nome Rambo – ele é um ícone muito maior do que os próprios filmes, cuja simples menção já nos faz imaginar o estereótipo de brucutu que extermina exércitos com uma faca e um arco e flecha; o quintessencial John McClane, Snake Plissken (aliás, reparem no jeitão de Metal Gear do pôster…), Capitão Nascimento, ou mesmo, nas devidas proporções e atualizado para a era da informação, Jason Bourne. E não dá pra negar que o Stallone, por velho e acabado que esteja, da mesma forma que em Rocky Balboa, tem o mérito de entender e aceitar esse ícone, e não tentar atualizá-lo, justificá-lo ou transformá-lo em algo diferente.

Rambo IV é o tipo de filme que vai direto ao ponto, sem firulas: o velho veterano John Rambo leva uma vida tranquila na Tailândia até que um grupo de voluntários americanos o contrata para levá-los até a Birmânia (que se chama Mianmar hoje em dia, mas vamos nos manter nos nomes do filme), que algum tempo atrás estava na capa das manchetes de todo o mundo devido a uma violenta guerra civil que oprime o povo e toda aquela ladainha pacifista que dá o que fazer para membros de ONGs humanitárias. Tudo vai bem até que a vila onde ele deixa os missionários é atacada pelo exército local, sequestrando os missionários e obrigando o velho soldado à voltar a ativa para tirar os pacifistas ingênuos de lá, massacrando todos os inimigos que ficarem no caminho.

Até aí o filme é perfeito, oferecendo exatamente o que se espera dele – mortes mortes absurdas e ignorantes, com o bônus de serem brutais e realistas; as cenas destacam bastante detalhes como membros sendo decepados e o sangue jorrando com os tiros de metralhadoras, sem tentar mascarar a violência com um véu de limpeza como é tão típico no gênero. Bem, é só ver os trailers. É isso que o personagem é, afinal, e tentar justificá-lo com discursos filosóficos seria enfadonho e ingênuo. A escolha de um conflito relativamente periférico como cenário também foi boa nesse sentido, já que impede que ele seja confundido com qualquer tipo de manifesto político – apesar de que eu li algumas notícias de que o filme, obviamente proibido pelo governo militar de Mianmar, chegou até o país através de cópias piratas, e citações dele têm virado gritos de guerra pelos soldados rebeldes. E no fim, na verdade, o roteiro até consegue, despretensiosamente e sem ferir a sua óbvia razão de ser, aprofundar um pouco o personagem título, mostrando como ele aceita sua natureza e fica em paz consigo mesmo.

No fundo, acho que a única razão que me impede de recomendar com veemência Rambo IV é que ele é curto, muito curto. Mal chega na parte do massacre total e generalizado e logo acaba, deixando aquela sensação chata de alguma coisa ficou faltando, como se fosse só uma pequena amostra de algo que deveria ser maior. À parte por isso, no entanto, é um filme divertido e bem produzido, pelo menos para quem souber o que esperar.

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