A Trilogia Nikopol

A Trilogia Nikopol, do francês nascido na ex-Iugoslávia Enki Bilal, é considerada uma das grandes obras dos quadrinhos europeus de ficção científica oitentistas, a par com qualquer clássico da Metal Hurlant. Ele segue as desventuras de Alcide Nikopol em um futuro caótico e distópico em meados do século XXI, e o que acontece quando ele se envolve com divindades egípcias, ditadores fascistas e outros personagens peculiares.

Como o nome bem indica, trata-se não apenas de uma história, mas três álbuns que levaram mais de dez anos para serem publicados originalmente, reunidos aqui em um volume caprichadíssimo com capa dura da editora Nemo. Vale destacar inclusive que o preço, se parece um pouco pesado a princípio, se dilui facilmente nesse fato – basta imaginar quanto custariam as três histórias publicadas individualmente pela Devir ou a Conrad…

A Feira dos Imortais, em todo caso, a primeira das histórias, abre com uma estranha pirâmide voadora pairando sobre uma Paris dominada por uma ditadura fascista. Já a primeira cena dá bem o tom do que vamos encontrar, quando vemos deuses como Anúbis, Toth e Set discutindo a pressão que farão sobre o governo local para resolver o seu problema de combustível para a nave, enquanto jogam, entre todos os jogos possíveis, Banco Imobiliário! Ao mesmo tempo, Nikopol, que fora exilado após desertar o exército francês e estava há trinta anos em estado de animação suspensa, retorna à cidade para encontrá-la completamente diferente de quando a viu pela última vez.

Entre os tradicionais discursos políticos e sociais da tradição cyberpunk, assim, é interessante ver os momentos de paródia e humor negro que pontuam a narrativa. Alguns inclusive fizeram o salto para a realidade posteriormente – basta lembrar que o boxe-xadrez, por exemplo, que atualmente é uma modalidade esportiva levada bastante a sério, fez sua primeira aparição em Frio Equador, a terceira história do volume. Entre os dois extremos, pílulas alucinógenas, conspirações sobrenaturais e ambientes surreais, pontuados por uma série de personagens únicos e situações de risco.

Como seria de esperar de qualquer álbum europeu da tradição Metal Hurlant, a arte é maravilhosa, com um estilo mais fotográfico e repleta de arquiteturas impossíveis e cenários imaginativos. Os deuses com cabeças de animais são um elemento à parte, praticamente uma obsessão do autor. Apenas achei que a narrativa em quadrinhos um pouco truncada, pelo menos na primeira história, repleta de infodumps e narrações em off – é interessante ver como o autor evolui ao longo das histórias, sendo A Mulher Armadilha, a segunda, a melhor das três na minha opinião, com direito a uma femme fatale e outros elementos que remetem à literatura noir.

No fim, tenho que recomendar A Trlogia Nikopol para qualquer um que goste de quadrinhos, ficção científica ou histórias imaginativas de maneira geral. Vale a pena desembolsar alguns tibares para ler e receber alguns choques pesados de imaginação.

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