Come to the Dark Side.

Lendo um texto do Sul 21, portal de notícias ligado algo mais do que ideologicamente à nossa esquerda política, sobre o famigerado encontro de Lula e Maluf pelo apoio na candidatura do Haddad à prefeitura de São Paulo, me vejo perdido em algumas reflexões. Há algumas informações interessantes lá – por exemplo, o fato de que o Maluf também já tinha sido procurado pelo José Serra na mesma semana sem um décimo do estardalhaço -, e alguns pensamentos e interpretações bastante válidos sobre o futuro dos partidos políticos. Ao mesmo tempo em que levanta questões relevantes, no entanto, o texto também se deixa levar por aquele conformismo típico da nossa política, fazendo o papel de advogado do diabo com suas piruetas hermenêuticas na apologia do pragmatismo das alianças partidárias.

No fundo, é claro que dá pra entender o encontro e a aliança decorrente dele sem qualquer dificuldade. É preciso muita má vontade para com o PT para se recusar a ver que se trata de um jogo político, uma forma de adquirir mais tempo nos horários eleitorais, além de angariar toda a militância de um partido tradicional para o seu lado. Ao mesmo tempo, no entanto, cada vez que se vê algo assim acontecendo, a cada mensalão ou Cachoeira ou tanto faz qual seja o alvo da metralhadora giratória da Veja essa semana, se perde um pouco de inocência, e com isso muito da própria fé na política como instrumento de mudança da sociedade.

Como o próprio texto bem destaca, o descrédito das instituições públicas é um fato. É algo que se vê no dia-a-dia, nas charges e piadas sobre políticos sustentados pela população, em qualquer conversa em almoços de família e amigos. Então você tenta puxar tudo o que você estudou de Aristóteles e John Locke, o quanto você leu de Charles Tilly e Robert Dahl e quem quer que seja o cientista político do momento, pra dizer que não é bem assim, que há uma função na política e nos políticos, que o que falta na maioria dos casos é informação adequada… Mas chega um ponto em que não há mais argumentos, a realidade simplesmente supera qualquer base teórica, e o que sobra é esse desânimo com qualquer debate político, a certeza de que seja o PT ou o PSDB, seja a Dilma ou o Serra ou o Aécio, no fundo nada vai ser muito diferente, e que você ganha mais tirando esse tempo pra ler o capítulo de Naruto da semana. Ou alguém duvida que o Serra e o Aécio também não correriam atrás do Maluf, do Sarney e de todos esses caso fossem eleitos?

Não é algo que tenha a ver com ideologias ou simpatias políticas. Não to aqui pra discutir isso, e nem quero pregar adesão ao partido A, B ou C. No fundo, acho que é mais um cansaço mesmo. Cansaço de todo esse pragmatismo, misturado a um pouco de nostalgia das velhas utopias. Seja o comunismo final marxista ou o futuro encantado do progresso capitalista, uma boa utopia às vezes faz falta. Algo com o que sonhar e a ter como objetivo último, mesmo que inalcançável. A única utopia que temos ultimamente parece ser um mundo sem sacolas plásticas nos super mercados.

Às vezes também me pego imaginando se não apoiaria incondicionalmente qualquer um que simplesmente mandasse esse tal pragmatismo às favas. Nem precisa ser alguém com quem eu tenha afinidades políticas ou cujo plano de governo seja razoável. Qualquer um que chamasse um encontro público com o Onyx Lorenzoni só pra quebrar o nariz dele na frente dos fotógrafos já tá valendo.

Sei lá. Coisas de uma madrugada sem sono, talvez.

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