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A Vingança como Valor

Falemos então do assunto mais comentado do país. Julgamento do mensalão? Derrota da seleção na final olímpica? Nah – Nina e Carminha, obviamente. Não, não sou noveleiro, mas também não sou esses hipsters que acham a teledramaturgia nacional a maior conspiração mundial para alienar a população desde Cidadão Kane. Na verdade, por ter tido algumas colegas de faculdade que se debruçaram a sério sobre o tema em projetos de pesquisa, até peguei alguns respingos de conhecimentos bem interessantes sobre o assunto; e recentemente, após passar uma semana na casa dos pais da minha namorada, ainda acabei assistindo alguns capítulos de duas novelas recentes que ela acompanha. Uma me surpreendeu bem positivamente – a novela das sete, Cheias de Charme, que é toda construída com um tom de farsa teatral bem divertido, com personagens propositalmente exagerados e até algum comentário social relevante, ao ter como fio condutor da trama o empoderamento de uma classe de trabalhadoras que até não muito tempo atrás estavam em condições de quase subemprego -, e a outra tenho que dizer me decepcionou bastante – justamente a dita cuja que todo mundo parece estar comentando.

À parte por ser tecnicamente muito bem produzida, com uma fotografia que não deve nada a superproduções internacionais, ela ainda se prende muito aos paradigmas da teledramaturgia mais kitsch que o país já produziu. Acho que esse foi um dos meus primeiros comentários a respeito dela no twitter, até: uma fotografia tão bonita, pra câmera continuar fazendo um close na atriz principal tentando forçar o choro… Até aí não é nada de realmente decepcionante, é claro, e é até bastante esperado. Acho que o que mais me incomodou mesmo no pouco que vi dela foi a forma como a referência a um dos meus filmes favoritos, a série Kill Bill de Quentin Tarantino, foi aproveitada. Há o mote principal da trama, que também envolve uma vingança pessoal da protagonista contra alguém que lhe causou um mal indescritível no passado; e mesmo a inspiração mais direta em algumas cenas, em especial a famosa sequência da protagonistas sendo enterrada viva. Um infográfico recente no Uol inclusive apontou todas as semelhanças principais entre as duas histórias.

O ponto em que quero chegar não é o de nenhuma acusação de plágio, até porque é bastante claro que se trata de uma inspiração assumida. Mas acho que tudo isso serve bem para ilustrar a forma como uma obra com bem mais significados acaba sendo pasteurizada para se adequar a um formato como esse, absorvendo no processo toda uma gama de valores sem nada a ver com os que ela originalmente possuía.

Começando pelas duas protagonistas, vejo algumas diferenças bem fortes entre a Noiva e Nina. Ambas são justiceiras atrás de reparação por coisas que lhes foram feitas no passado, e pode-se dizer mesmo que não estão totalmente erradas, pela crueldade daquilo que sofreram. A primeira, no entanto, é bem mais objetiva: nos dois filmes que compõem a história, segue sem rodeios a sua vendeta contra os antigos membros do grupo de assassinos do qual fazia parte, em uma evolução quase como a de um videogame, até chegar no “chefão final.” Nina, por outro lado, presa que está aos rodeios e reviravoltas do formato de folhetim, não pode ser tão direta, e, mesmo tendo a chance de acabar de vez com a sua inimiga, prefere primeiro torturá-la para encher os capítulos, transformando a sua vingança de uma busca minimamente justificada por justiça em uma demonstração de sociopatia pura e simples. Ela chega mesmo a se afastar de outras pessoas importantes para ela, em especial o seu par romântico da vez, outra diferença entre ela e a Noiva, que já não tinha nada a perder quando assume a vingança como missão.

A comparação que mais me incomodou, no entanto, foi entre os dois vilões. Aparecendo realmente em apenas um filme, Bill consegue demonstrar muito mais personalidade que a sua contraparte nacional. Você chega mesmo a simpatizar de alguma forma com ele, pois, por mais cruel que seja ao lidar com a assassina fugitiva, ele ainda demonstra sentimentos realmente humanos, como o ciúmes e até um pouco de compaixão. Expressão do materialismo tosco global, o único sentimento que Carminha demonstrou nos poucos capítulos que vi foi o amor ao dinheiro e ao conforto que havia conquistado; é por eles que tenta se livrar da sua inimiga, e não por ter desenvolvido qualquer empatia pela família que a havia acolhido. Assim, se encaixa na extensa tradição de vilãs unidimensionais cuja única função parece ser gritar histericamente, soltar gargalhadas malignas eventuais, e praticar maldades sem justificativa para chocar o público. Bem mais interessante como personagem acaba sendo o outro vilão, o seu comparsa Max, que pelo menos demonstra alguma humanidade e conflito interno.

Na soma dos dois pontos, Kill Bill, em apenas dois filmes e ainda tendo que dividir o desenvolvimento do roteiro com longas lutas de artes marciais, ainda consegue ser visivelmente mais profundo que Avenida Brasil. É interessante notar como ele não redime a vingança da protagonista, mas a coloca no meio de um processo mais longo, em que uma vingança gera outra vingança que gera outra vingança – antes de sair na sua vendeta, a própria Noiva já havia sido o alvo da vingança de Bill, por fugir dele estando grávida do seu filho; e ainda no primeiro filme ela se desculpa da filha de um de seus alvos dizendo que, se ela quiser se vingar no futuro, estará esperando, o que segundo alguns boatos pode virar o mote de um terceiro filme da franquia. Por simplória que seja, essa espiral interminável chega a remeter mesmo a uma prática comum em regiões rurais isoladas dos centros urbanos, onde uma ofensa causada contra um membro de uma família leva os seus irmãos/primos/etc. a buscar reparação, que por sua vez causará uma nova reparação contra eles e assim sucessivamente. A novela, até onde pude constatar, ainda não demonstrou um traço da mesma reflexão sobre si mesma, e corre o risco ainda de transformar uma sociopata em heroína nacional (mesmo que ainda haja sim bastante tempo para isso ser evitado, acredito, dada a natureza fluida dos enredos de telenovelas, sempre sujeitos a passarem por modificações e revisões de acordo com a resposta do público).

Das Músicas de Desenhos Animados

Eu gosto muito do desenho animado Padrinhos Mágicos. Para além dos óbvios temas infantis e as piadas de duplo e às vezes até triplo sentido, das quais as crianças riem mas geralmente só os adultos entendem todo o seu significado, eu me divirto muito com a chuva de referências que tem em cada episódio – super-heróis, filmes clássicos, literatura… Acho que a minha história preferida é a que o Timmy Turner pede aos seus padrinhos para entrar na televisão, e então seguem-se dúzias de esquetes homenageando séries clássicas, de Os Jetsons até Jonny Quest, Os Simpsons e mesmo o ótimo desenho do Batman dos anos 1990, mudando até o estilo do traço em cada uma para se aproximar dos originais.

Acho muito engraçado principalmente quando ele homenageia Tom & Jerry, um dos clássicos de uma época em que os desenhos infantis eram muito mais, digamos assim, livres na sua missão de fazer rir. A cada vez em que alguma cena violenta devia acontecer, como era de praxe então, o Cosmo pulava na frente da tela, impedindo que nós víssemos o que ocorria, e dizia algo como “não se fazem mais desenhos como antigamente.”

À parte da óbvia nostalgia e saudosismo de dizer algo assim, é fato conhecido que os desenhos animados de hoje em dia são muito mais conservadores e inocentes que os daquela época. Não que sejam piores por isso, é claro – bem pelo contrário, existem hoje ainda ótimas séries animadas, que falam para o público jovem e infantil de forma inteligente e usando a sua própria linguagem. Mas, para quem cresceu assistindo explosões, machadadas e pancadas violentas de forma geral, é difícil não sentir um pouco a sua falta.

Em todo caso, também não estou aqui para fazer um libelo em favor da violência nos desenhos animados. Só achei que seria uma forma interessante de começar este devaneio, trazendo abaixo a música de abertura dos Padrinhos Mágicos:

 

Reparem bem no estilo dela, cheio de metais e suingue, como as big bands do passado. A sua seqüência de acordes mesmo pode ser facilmente reconhecida como a clássica progressão I – IV – V do blues. É uma música nostálgica – um pouco como a própria série em muitos momentos, como eu já destaquei. É curioso reparar em algo assim, especialmente quando lembramos que os desenhos animados, historicamente, sempre tiveram uma abordagem bastante progressiva quanto às suas trilhas sonoras.

Acho que foi o Eric Hobsbawn, no livro História Social do Jazz, quem destacou que os desenhos animados foram provavelmente a única mídia em que o jazz, historicamente um estilo marginalizado até meados da década de 1950, teve algum reconhecimento durante o seu auge. Levaria um bom tempo até que o cinema, por exemplo, passasse a usar largamente temas de jazz nos seus filmes; nos desenhos, no entanto, temos já desde os anos 1940, pelo menos, trilhas sonoras totalmente levadas pelo estilo. Apenas como exemplo, destaco um clássico episódio de Tom & Jerry, que o possui até no nome:

 

Se você avançar um pouco as décadas, ainda, podemos ver que o rock também teve sua dose de aceitação bastante precoce nos desenhos animados, desde os clássicos da Hannah-Barbera, na época em que ele ainda era um estilo novo e polêmico. Como exemplo, trago o tema de abertura de Josie e as Gatinhas, de 1970, que tinha como protagonistas mesmo uma banda musical, e cujo tema de abertura remete às boy bands de rock inglês do começo dos anos 1960:

 

Podemos ir mais além ainda, e reconhecer mesmo na abertura Clue Club, de 1976, alguma coisa do suingue e ginga do funk norte-americano daquela época:

Desde a década de 1980, no entanto, já se pode ver um certo conservadorismo nos temas de desenhos animados, que, especialmente naqueles voltados ao público jovem, passaram a ter meros rocks genéricos nos seus temas de abertura (o que não quer dizer que não fossem legais, é claro). Por exemplo, Thundercats:

Onde temos desenhos animados que utilizam temas mais contemporâneos? O rap, por exemplo, ou mesmo música eletrônica. A única série de destaque que eu me lembro a ter um rap como música tema não era um desenho animado, mas um seriado com atores reais feito para atingir a classe média negra emergente nos Estados Unidos na década de 1980:

É claro que não podemos culpar apenas o conservadorismo dos desenhos animados por isso. Em grande parte, isso reflete também o conservadorismo da própria indústria musical, se agarrando com todas as forças àquilo que tem antes de colapsar por completo com as novas tecnologias de compartilhamento de arquivos digitais.

Em todo caso, como sempre, é apenas um devaneio aleatório meu, que não quer necessariamente chegar a lugar algum. Se o conservadorismo dos desenhos animados recentes não é exatamente novidade, é interessante reparar que mesmo em algo pequeno como os temas de abertura e trilhas sonoras ele é bem visível.

Game of Thrones

Voltemos a falar de Game of Thrones então, já que o assunto é popular e a minha auto-estima sinceramente poderia aproveitar um aumento nos pageviews. Para quem (ainda) não sabe, se trata de uma série de livros do autor norte-americano George R. R. Martin, cujo primeiro volume eu já resenhei anteriormente, e que agora foi transformada em uma série de televisão pela emissora HBO. Quem quiser saber mais sobre a série toda, no entanto, tanto a de livros como a televisiva, eu recomendo mesmo é visitar o blog Leitura Escrita, que tem como autora uma das maiores fás da série que você vai achar por aí, e por isso tem a sua dúzia de artigos sobre ela, incluindo comentários semanais a cada novo capítulo exibido aqui no Brasil.

Em todo caso, só para não deixar perdido quem tiver preguiça de clicar em todos estes links, o que você deve saber em primeiro lugar é que ela conta uma história épica de fantasia medieval. Esqueça o seu Senhor dos Anéis, no entanto, e as suas batalhas profetizadas entre o Bem e o Mal claramente definidos, onde todos os orcs são feios e todos os elfos são belos e loiros. A coisa aqui é bem mais complicada, os tons predominantes são os cinzentos, e aquele galã bonitão em uma armadura brilhante e cavalgando um cavalo branco pode muito bem ser um regicida cínico que come a própria irmã. As batalhas são sujas, as mortes são sangrentas, e os princípios em jogo nem sempre são os mais justos e honrados – bem pelo contrário, você se pega constantemente questionando as atitudes dos protagonistas, e tentando decidir quem, afinal, são os mocinhos e os vilões verdadeiros no fim das contas.

É uma série grande – até agora já foram lançados quatro livros (sendo os dois primeiros já publicados no Brasil pela editora Leya), um quinto recém foi terminado e deve ser lançado ainda este ano, e a previsão atual (que sempre pode ser alterada, para mais ou para menos) é de que tenha sete volumes ao todo. Mais do que isso, é também uma série grandiosa, com dezenas de personagens, grande cuidado na construção da ambientação, de forma a fazer inveja mesmo em muitos romances históricos, além de uma trama complexa repleta de reviravoltas e desenvolvimentos inesperados. Não é, enfim, o tipo de história que funcionaria em uma produção para o cinema, tendo que condensar por vezes mais de mil páginas em filmes de duas horas de duração, sem contar na dificuldade em encontrar atores decentes para todos os coadjuvantes.

O formato para televisão, por outro lado, permite contornar a maioria destes problemas, ainda mais com o apoio da HBO, uma das maiores redes de televisão pagas dos Estados Unidos, e que tem bala na agulha pra investir em séries assim, vide Roma (mas tenho que admitir que ainda estou curioso para ver como vão ficar algumas das cenas mais épicas das próximas temporadas). Foi possível investir pesado na pré-produção, com criação de cenários e inúmeros figurinos únicos, além de contratar bons atores até para papéis menores, inclusive porque muitos deles crescem em importância com o decorrer dos acontecimentos (e outros tantos morrem ainda na primeira temporada, o que significa espaço no orçamento para novos atores depois…). Tudo feito com o máximo de cuidado, para fã nenhum botar defeito.

Quanto à adaptação em si, é claro que eu não posso falar como alguém que só conhece a série televisiva, uma vez que já li os quatro primeiros livros em inglês há algum tempo e tenho roído as unhas e os dedos na espera pelo quinto desde então. O que posso dizer é que todas as principais cenas que podem ser adaptadas o foram, o que quer dizer que o cerne do enredo está todo lá; uma ou outra cena menor faz falta, mas nenhuma mais do que o espaço que há nos livros para monólogos internos e reflexões dos personagens. No que foi possível, em especial a respeito de flashbacks de acontecimentos que antecedem o enredo principal, eles foram transferidos para cenas novas, em que personagens secundários ou que não têm tanta importância na primeira temporada discutem a respeito destes eventos passados; outros tantos, no entanto, realmente se perderam, e fizeram falta sobretudo para a Daenerys Targaryen, que parece um tanto isolada e perdida dos outros protagonistas na sua linha narrativa.

Isso me remete a outro problema, aliás, que é o fato de que o número de personagens é grande demais, e não há tempo de tela suficiente para a maioria deles aparecer. Nos primeiros capítulos, em especial, é tamanha a quantidade de personagens a apresentar e conflitos a serem levantados que a ação pode parecer bastante lenta – mas na verdade isso é um problema do primeiro livro também, que leva centenas de páginas apresentando situações e conflitos antes que alguma coisa importante comece de fato a acontecer, então pode ser considerado até mesmo um ponto positivo na fidelidade da adaptação. Só que bastante se perde com isso também, especialmente na importância dos direwolves para os jovens Stark, que fica muito diminuída com a redução da sua presença nas cenas.

Quanto aos atores, não há muito o que reclamar. Acho que a Cersei Lannister talvez pudesse ser melhor escalada (e eu já disse quem seria a minha atriz perfeita para ela), e um ou outro personagem menor também, mas de maneira geral todos estão muito bem caracterizados nos seus papéis. Três deles merecem destaque especial: Peter Dinklage está perfeito como Tyrion Lannister, o Imp / Duende, roubando a cena sempre que aparece (e só imagino como será na segunda temporada, onde já no livro o personagem roubava a cena…); Maisie Williams é adorável demais como a tomboy Arya Stark, realmente um achado dos diretores de elenco, até por ser difícil encontrar atores mirins dessa qualidade; e Harry Lloyd quase nos faz desejar que a linha narrativa dos irmãos Targaryen tivesse o Viserys como protagonista, tão forte é a sua atuação. É interessante notar também como muitos personagens tem certos aspectos da sua personalidade que nos livros só são revelados em volumes posteriores já trabalhados desde a primeira temporada, em algumas cenas extras que os colocam em evidência um tanto mais cedo, nos fazendo questionar desde já as suas motivações e princípios, tanto para o bem como para o mal.

Em todo caso, mesmo com os problemas apontados, não posso deixar de recomendar Game of Thrones, tanto a série de televisão como a de livros, para qualquer fã sério de fantasia, romances históricos ou simplesmente boas histórias. Os visuais e o figurino são lindos, desde a própria vinheta de abertura, os personagens são cativantes e bem construídos, mesmo os (supostos) vilões são daqueles que nós temos gosto em odiar, e a história é complexa, envolvente e cheia de surpresas. É daquelas para ver episódio por episódio, e depois comprar os DVDs / Blu-Rays e colocá-los em posição de honra na estante.

Um Jogo de Tronos

A Game of Thrones, e toda a série A Song of Ice and Fire, na verdade, conta uma história de intriga, mistério, traição e amores proibidos. Seus personagens principais incluem nobres em ascensão ou em decadência, e os enredos giram em torno dos seus jogos palacianos pelo poder. Se interessou? Dá um pulo lá na minha resenha do primeiro livro, ou, melhor ainda, visita o blog Leitura Escrita e os seus diversos artigos sobre o assunto, incluindo resenhas capítulo a capítulo da recente série da HBO.

Em todo caso, histórias com esse tipo de tema não são exatamente novidade no Brasil. Nós também estamos acostumados com enredos sobre pessoas e famílias de prestígio, muitas vezes em meio a feudos particulares atrás de poder econômico e político. Histórias que envolvem amor e traição, intriga e mistério, e que passam a maior parte do tempo longe da “gente diferenciada”. Sim, deixemos o orgulho de lado e admitamos: A Game of Thrones daria uma ótima novela global! Duvida? Pois eu consigo imaginar até os atores que fariam alguns dos personagens principais…

Ned Stark. Senhor de Winterfell, a gelada capital dos povos do norte, Ned é o personagem principal do primeiro livro. Seu intérprete precisa ser um galã rústico, que evoque por meio dos seus pêlos faciais toda a austeridade de um povo acostumado às dificuldades do frio e do inverno. Então me perdoem se eu puxo a sardinha pro lado do meu sul pampeano, e escolho o Werner Schüneman como protagonista da nossa novela.

Catelyn Tully. Esposa de Ned, a senhora Stark já foi bela e encantadora com seus cabelos ruivos, mas, cinco filhos e uma vida no norte gelado depois, já demonstra claros sinais da idade. Escolho então a Cláudia Raia para interpretá-la, que também já está meio, assim, acabada, e na verdade nunca foi tudo aquilo também. Ok, talvez não seja a melhor escolha, mas talvez quando chegar na Cersei vocês entendam o porquê dela. E como não temos muitas atrizes reconhecidamente de medeixas avermelhadas por aqui, essa parte da sua caracterização já teria que ser adquirida por meio de tintura de cabelo de qualquer forma.

Robert Baratheon. Robert é o rei gorducho e bonachão de Westeros, e nem preciso divagar muito pra achar o intérprete perfeito: André Mattos, que inclusive já tem alguma experiência em interpretar monarcas com distúrbios alimentares, vide o seu D. João VI da minissérie O Quinto dos Infernos. (E eu procurei uma foto dele nesta série, mas não encontrei. Contentem-se com essa genérica mesmo).

Cersei Lannister. A rainha de Westeros também já tem a sua intérprete perfeita: Patrícia Pillar, de preferência adotando os mesmos trejeitos de Flora, a vilã que ela interpretou na novela A Favorita. Na verdade, tenho que confessar que li A Game of Thrones justamente na época em que a novela e a personagem estavam no auge de popularidade, e provavelmente por isso eu sempre imaginei a Cersei com a cara da sra. Ciro Gomes…

Jaime Lannister. O galã da Guarda Real de Westeros precisa ser interpretado também por um dos nossos galãs genéricos trintões / quarentões. Escolho o Marcelo Novaes porque ele já é loiro, então economizamos o nosso orçamento para tintura de cabelo, uma vez que vamos precisar bastante dele pros irmãos Targaryen.

Tyrion Lannister. O Imp / Duende é provavelmente o protagonista mais difícil de escalar, pois não temos exatamente uma grande tradição de atores anões no Brasil. O Matheus Nachtergale pode ser baixinho, mas não é exatamente um anão; por outro lado, pelo menos é feio como manda o figurino, e um ator decente pra interpretar um dos melhores personagens da série.

Tywin Lannister. Outro que já possui o seu intérprete perfeito: ele já é praticamente o equivalente medieval do homem de negócios intimidador e bem sucedido (ainda que por meios pouco escusos), então chamemos o galã-mor (sic/sci-fi) da teledramaturgia brasileira para interpretá-lo: Tarcísio Meira. Apenas, é claro, tirem o cabelo.

Littlefinger / Mindinho. Pode parecer um personagem muito secundário a princípio, mas para quem ainda não leu eu prometo que até o fim do terceiro livro vocês vão entender porque ele está aqui, e também porque é um dos meus preferidos. Acho que o seu principal atributo é a sua canastrice, muito bem retratada pelo ator escolhido na série da HBO – e quem consegue ser mais canastrão na televisão brasileira do que Miguel Falabela? Caco Antibes 4evar.

Sansa Stark. Uma menina criada em um mundo de conto de fadas, com todo o luxo e prestígio que uma família nobre pode lhe proporcionar, esperando pelo seu príncipe encantado em um cavalo branco. Poderia ser a Sansa, ou a Sasha Meneguel.

Daenerys, Robb, Jon, Bran, Arya, Joffrey… Bons atores mirins/adolescentes sempre são difíceis de achar, então pegue o elenco que sobrou da última temporada de Malhação, distribua de acordo entre os papéis e estamos resolvidos.

E é isso. Me mantive nos personagens principais um pouco por preguiça, um pouco por não conhecer tantos bons atores nacionais assim, e principalmente porque a série possui personagens demais de qualquer forma… Se discordou de alguma escolha ou quer sugerir algum personagem que eu esqueci, os comentários são abertos, ué.


Sob um céu de blues...

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@bschlatter

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