A Princesa e O Sapo

Era uma vez uma bela princesa de longos cabelos vermelhos e olhos cor de mel, que, em uma tarde ensolarada, após almoçar, decidiu sair para passear pelos arredores do castelo. Adentrou o denso bosque que lá havia, caminhou por longos minutos entre as árvores, provando frutos e observando pássaros, até que resolveu descansar e sentou-se sobre uma pedra ao lado de um lago.

– Olá, princesa. – disse uma voz inesperada; a princesa quase caiu na água com o susto, e olhou em volta procurando quem teria lhe falado. Tudo o que encontrou foi um sapo, que pulou mais para perto e continuou: – Ora, não se assuste! Pois sou eu apenas um pobre príncipe amaldiçoado por uma bruxa vil a terminar meus dias coaxando e pulando neste lago…

– Um príncipe? – já não havia mais susto nos olhos da moça, que agora brilhavam de curiosidade.

– Sim, um príncipe! – o sapo pulou um pouco mais para perto, os próprios olhos brilhando intensamente. – Herdeiro de um vasto reino em uma terra distante, preso neste infeliz corpo anfíbio. – virou o rosto para baixo, como que envergonhado; mas logo voltou-se outra vez para a princesa com um ar esperançoso. – Mas basta que uma nobre donzela me presenteie com um beijo e voltarei a minha forma verdadeira, livre para agradecê-la com a minha devoção e amor eternos!

A princesa pensou por alguns segundos, ainda um pouco relutante, então pegou o sapo nas mãos e beijou-o na boca. O que começou com um simples selinho, no entanto, logo aumentou em intensidade, e suas línguas passaram a trocar carícias a cada segundo mais apaixonadas. Ela apertava fortemente o sapo contra o rosto, esfregando e acariciando com os dedos sua pele úmida e escamosa; e ele se deixava apertar, usando o comprimento da sua língua para atingir pontos improváveis da boca da princesa.

Separaram-se, afinal, após longos e ardentes minutos, e ela o largou de volta no chão, esperando a transformação. Mas nada aconteceu.

– Tenho que confessar. – disse o sapo, ao ver a expectativa diminuindo no rosto da moça e transformando-se em decepção. – Menti sobre minha natureza; não sou nenhum príncipe amaldiçoado, apenas um pobre sapo falante. Tudo que queria era uma desculpa para beijar a dona de tão belo par de lábios… – e então sorriu, olhando diretamente nos olhos dela. – Mas vai dizer vossa excelência que não gostou?

A princesa não respondeu; apenas olhou para baixo e sorriu desajeitada, deixando o rosto preencher-se de um vermelho envergonhado. O sapo então pulou de volta para o lago, e desapareceu. Também a princesa logo resolveu voltar para o castelo.

Voltou ao bosque no dia seguinte, no mesmo horário, sentou-se sorridente na mesma pedra ao lado do lago, e esperou. Passou uma hora, então duas, e três, mas o sapo não apareceu. O sorriso desfez-se em uma expressão de tristeza, e ela retornou ao castelo.

E todos os dias, por longos anos, ela voltou ao local no mesmo horário, e esperou o retorno do sapo. Mesmo depois de velha, já rainha, casada com um belo príncipe de um reino distante, ainda voltava ao lago sempre que podia, e por horas observava em silêncio a superfície da água, deixando-se levar por um olhar distante e sonhador.

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