Tonight: Franz Ferdinand

franzSó pra deixar claro, eu não sou exatamente um fã de toda essa onda indie que domina o rock nos últimos anos. Não que sejam bandas ruins – certamente não me dóem nos ouvidos como certas bandas emo, e o Strokes até tem lá Reptilia e mais duas ou três músicas realmente legais; em geral, no entanto, eu acho a maioria delas tão, assim… Nhé. Às vezes, ouvindo uma música, eu realmente não sei se ela é do Strokes, ou do Arctic Monkeys, ou do, hum, Charutos Cubanos; e quando acaba, eu não consigo sentir falta dela de qualquer forma – muito diferente do que acontece, por exemplo, com músicas do Eric Clapton, ou do Wishbone Ash, ou do Rory Gallagher.

Mas, vá lá, toda regra tem sua exceção, e, nesse caso específico, ela atendia pelo nome de Franz Ferdinand. Os dois primeiros discos do grupo escocês realmente me impressionaram bastante – Franz Ferdinand, o primeiro, é um daqueles raros casos em que todas as músicas são boas e destacáveis, e facilmente um dos dez discos que eu levaria para uma ilha deserta; e You Could Have it So Much Better em pouco devia ao trabalho de estréia. Talvez seja justamente por essa impressão tão positiva, no entanto, que esse Tonight: Franz Ferdinand tenha me decepcionado tanto.

O terceiro disco segue facilmente reconhecível como um trabalho da banda, que tem uma identidade sonora própria e bastante particular – o que é certamente um mérito no meio de tantas bandas genéricas. No entanto, ele aposta demais justamente no que o grupo tinha de pior, e que o tornava um pouco difícil de se ouvir para algumas pessoas – como os refrões altos que quase parecem gritos histéricos, ou o excesso de sons simultâneos, que tende a ficar um pouco confuso -, sem ser tão feliz naquilo que ele tinha de melhor – os arranjos originais e bem trabalhados, repletos de viradas e mudanças de ritmo inesperadas, os riffs de guitarra hipnóticos, e as baladas tocantes e cativantes como Auf Achse ou Walk Away. Ao invés disso, o que temos é um excesso de efeitos eletrônicos e digitais – em alguns momentos chega a ser difícil saber se estamos ouvindo uma banda ou um DJ de música eletrônica -, e atuações individuais de pouco brilho – em especial a do baterista Paul Thompson, que dava um show à parte nos discos anteriores, e aqui parece recorrer sempre às mesmas batidas e viradas.

O que não é dizer, claro, que o disco não tenha alguns bons momentos. Há alguns bons rocks, que, se não são tão inspirados, pelo menos não fazem tão feio entre os dos trabalhos anteriores – com algum destaque para a primeira música de trabalho, Ulysses, e Bite Hard, talvez a melhor faixa do disco. Baladas como Dream Again e Katherine Kiss Me também não são ruins, apesar de invariavelmente soarem como mais do mesmo. E vez por outra, entre as constantes viradas e mudanças de ritmo que são a marca do grupo, até há algumas passagens bacanas e frases instrumentais marcantes.

Enfim, não dá pra dizer exatamente o quanto dos problemas de Tonight: Franz Ferdinand não são frutos do próprio objetivo dele – Alex Kapranos, líder da banda, disse que era um disco para o seu “público noturno”, aquele das pistas de dança e afins; e de fato, com todos os efeitos eletrônicos, não é difícil imaginar algumas faixas bombando em uma rave ou outra. E, vá lá, eu posso estar me precipitando no meu julgamento também, como já aconteceu antes – daqui uns anos pode muito bem acontecer de eu ouvir o disco de novo e encontrar méritos que não consigo agora. No momento, no entanto, não consigo deixar de me sentir um pouco frustrado.

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