Stop the Clocks

oasis_stop_cloksStop the Clocks é a primeira coletânea oficial do Oasis (a menos, claro, que vocês considerem como coletânea o ao vivo Familiar to Millions), banda que, não tenho vergonha de admitir, idolatro incondicionalmente. Tudo bem que eles realmente estão um tanto velhos, que já não têm a mesma energia e espontaneidade dos tempos áureos, e algumas decadências a mais; mas ainda são uma banda de importância pessoal para mim, talvez a que mais esteve comigo desde a adolescência, e responsáveis diretos por eu começar a me interessar por tocar violão e outros instrumentos, embora isso muito provavelmente esteja longe de ser um mérito.

Mas, enfim, falemos do disco. Em meados dos anos 90, o Oasis foi, talvez, a última grande banda de rock a estourar mundialmente antes da massificação da internet, que mudou radicalmente a forma como as pessoas sentem e usufruem da música. São ainda de um tempo em que uma banda estourava através de shows em bares sujos e fedorentos antes do que de programas de compartilhamento de arquivos, quando um telão e um refrão grudento bastavam para levantar um estádio, e a música da banda era mais importante que o projeto político do letrista. Claro, talvez eu esteja sendo exageradamente saudosista, e nem tudo tenha mudado tanto assim, ou mesmo fosse de fato tão diferente naquela época; mas, de alguma forma, ouvir jovens ingleses de um distrito operário de Manchester cantando sobre precisar mais de cigarros e álcool do que de um emprego e sonhar em se tornar estrelas do rock tem um ar de espontaneidade que parece ter se perdido em algum lugar dos bits do novo milênio. Ou talvez seja só eu que envelheci junto com a música, o que é uma possibilidade bem plausível também.

Pode parecer que eu continuo enrolando e ainda não comecei a falar de fato do disco, mas não é bem assim – falar de uma coletânea é, inevitavelmente, falar de história; é “parar os relógios” e olhar para trás por um momento, resgatando o que a banda e a sua música significaram. E o significado mais profundo do Oasis está, sem dúvida, em algum lugar entre esses seus anos iniciais e o seu período como a maior banda do mundo; não por acaso, os discos com mais canções na coletânea são justamente os dois primeiros, Definetly Maybe e (What’s the Story?) Morning Glory, de Rock ‘n Roll Star e Supersonic a Don’t Look Back in Anger e Champagne Supernova.

Don’t Believe the Truth, disco de inéditas mais recente na época do lançamento da coletânea, é representado por seus dois maiores hits, Lyla e The Importance of Being Idle, enquanto o Heathen Chemistry e o Standing on the Shoulder of Giants tem, cada um, uma música. Pelo menos esse último, na minha opinião, poderia ter mais algumas, como Gas Panic ou Roll it Over, mas isso é também porque eu sou um desses chatos metidos a entender mais que os outros a respeito de música. Não há músicas do Be Here Now, no entanto, que é um disco um tanto subestimado por muita gente, aparentemente incluindo a própria banda; Stand by Me e Don’t Go Away realmente fazem falta, especialmente a primeira. Mas, enfim, completam os dois discos alguns lados B dos singles da banda, outro fato peculiar do Oasis, que consegue fazer com que esses lados B tenham tanto sucesso quanto as outras músicas, a ponto de ser realmente difícil imaginar uma coletânea deles sem, pelo menos, Acquiesce e The Masterplan.

Enfim, acho que não consegui fazer um texto muito conciso ou coerente, mas é realmente difícil pra mim falar do Oasis de forma objetiva. Relembrar a música deles é, inevitavelmente, relembrar a mim mesmo, quando passava madrugadas em claro tentando tirar os acordes de Wonderwall para impressionar aquela paixão platônica da adolescência. No meio disso tudo, está Stop the Clocks, essa coletânea dupla deles – no fundo, como qualquer coletânea, é boa para quem quer conhecer a banda mas não tem um ponto de partida concreto por onde começar, para os fãs relembrarem os bons momentos vividos com aquelas músicas, e para os críticos relembrarem como era divertido falar mal dos irmãos Gallagher. E também foda-se quem não gostar, não é como se eu, entre todos os oasers do mundo, vá me importar.

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