Manhã de Páscoa

O pequeno Pedro acordou cedo naquele domingo, com vontade de ir no banheiro. Mais do que isso, no entanto, estava nervoso: era manhã de Páscoa, e ansiava pelos ovos de chocolate que comeria durante o resto do dia e da semana. Urinou rapidamente, e foi depois ao quarto dos pais acordá-los.

No meio do caminho, no entanto, enquanto passava pela porta da sala, um barulho estranho o interrompeu. O garoto se aproximou em silêncio, se escondendo atrás da parede, e olhou para o que acontecia: duas fileiras de coelhos em seqüência entravam na casa pela janela, a expressão de exaustão no rosto facilmente perceptível, carregando nas costas grandes sacos de alumínio colorido e deixando pegadas brancas para trás.

– Vamos, vamos logo com isso! – dizia com ferocidade outro coelho, de pé a esquerda das filas, segurando um chicote com a pata direita. – Ainda temos uma dúzia de casas para visitar só neste bairro, e vocês sabem o que acontecerá se nos atrasarmos!

– Não! Aquilo não! – um dos coelhos da fila parou ao ouvir a ameaça, derrubando o saco de alumínio no chão. Ouviu-se um som de algo quebrando.

– Você! Saia da fila!

O coelho com o chicote fez um sinal e dois outros coelhos entraram em marcha por entre as filas, levando o dissidente para fora entre gritos desesperados.

– Continuem! – disse para os restantes, estalando o chicote no ar. Obedeceram.

Pedro se assustou com a cena, se desequilibrando e caindo para trás. O barulho alertou os coelhos, que olharam na sua direção.

– Ali! – apontou o primeiro da fila.

O coelho com o chicote fez um sinal, e os dois coelhos novamente entraram e correram em direção a Pedro.

– Você viu demais, garoto. – disse um deles, pegando-o pelo braço.

O outro se aproximou e tapou a cabeça de Pedro com um saco de alumínio, deixando tudo escuro. O garoto lutou, mas os coelhos eram mais fortes; havia algo estranha, no entanto, algo que fazia com que quisesse manter a cabeça, ou pelo menos o nariz, dentro daquele saco…

Sim, o saco de alumínio cheirava a chocolate! Um cheiro tão gostoso… Uma pena que o ar acabava enquanto o cheirava, e Pedro logo ficou sonolento e fraco, até perder completamente a consciência.

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