O Guia do Mochileiro das Galáxias

231967_4Desde tempos imemoriais, a humanidade vem se perguntando uma série de questões especialmente intrigantes sobre a Vida, o Universo e Tudo Mais – coisas como “de onde viemos?”, “para onde vamos?”, “por que estamos aqui?” ou “onde vamos almoçar amanhã?”, que muitos consideram fundamentais para poderem ter uma vida plena de paz e tranqüilidade com o mundo à sua volta. A grande maioria dessas pessoas, no entanto, se soubesse a resposta, provavelmente ficaria decepecionada e acabaria procurando por outras coisas para perturbar sua vida plena de paz e tranqüilidade com o mundo à sua volta, e por isso prefere se ocupar de outras coisas menos decepcionantes. O Guia do Mochileiro das Galáxias pode ser resumido como a história de algumas pessoas especialmente desocupadas que saem de fato atrás dessas respostas, por mais decepcionantes que elas possam ser.

Nem todos realmente são tão empolgados em ir atrás delas, no entanto. O protagonista, por exemplo, Arthur Phillip Dent, apenas se envolveu com essa história toda quando o seu planeta – um pequeno conjunto de minérios e líquidos de cor verde-azulada, absolutamente insignificante, localizado nos confins inexplorados da região mais brega da Borda Ocidental da Galáxia – foi destruído para dar espaço à construição de uma via hiperespacial, sendo ele salvo poucos minutos antes por Ford Prefect, um amigo que, até então, não sabia ser na verdade nativo de um pequeno planeta perto de Betelgeuse. Provavelmente ele preferisse ficar em casa, tomando religiosamente o seu chá das cinco e assistindo partidas de críquete, mas, se vendo nesta situação incomensuravelmente chata e nem um pouco divertida de ficar sem planeta, teve que se conformar em participar dessa busca idiota pela resposta à grande pergunta sobre a Vida, o Universo e Tudo Mais, e viver todo tipo de experiência bizarra e absurda no caminho.

Douglas Adams consegue desenvolver essa história com genial ironia e um humor deliciosamente nonsense, satirizando a todo momento a ficção científica, a própria ciência, a política, a religião e o que mais que estiver entre eles e possa render boas risadas do leitor. Há personagens hilários e inesquecíveis – como Marvin, o robô com o cérebro do tamanho de um planeta e um sério problema de personalidade, ou os Vogons, o centro burocrático da galáxia -, máquinas mais hilárias e inesquecíveis – como o Gerador de Improbabilidade Infinita, que rende algumas das mais improvavelmente geniais passagens do livro – e situações ainda mais hilárias e inesquecíveis. As melhores passagens, sem dúvida, são aquelas retiradas do próprio guia que dá nome à obra, o magnífico livro que explica detalhadamente tudo o que os nossos heróis precisarão saber para sobreviver na Galáxia com menos de 30 dólares altairianos por dia.

Se há um ponto falho no livro, talvez seja o final, que é meio aberto e inconclusivo – mas é unicamente porque não é realmente o fim da história, que continua nos outros livros da série. No mais, é uma obra única e imperdível, que merece – ou melhor, deve – ser lida por todos os que gostam de boas doses de humor satírico e absurdo.

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1 Response to “O Guia do Mochileiro das Galáxias”


  1. 1 Nada 26/05/2009 às 12:54

    e obrigado pelos peixes o/


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