The Ragpieker’s Dream

115184_1_fMark Knopfler pode não ser exatamente um dos guitarristas mais versáteis do mundo da música, mas não dá pra negar que é um dos mais bem sucedidos dentro do seu gênero – auto-didata, no comando dos Dire Straits, desenvolveu um estilo único, algo entre o blues e o rock do fim dos anos 70 e início dos 80. The Ragpieker’s Dream, lançado em 2002, é o seu terceiro trabalho solo.

Se considerarmos que a guitarra e a voz de Knopfler já eram o elemento mais marcante da música dos Straits, pode-se considerar que o disco soa, sim, como mais um da banda; no entanto, classificá-lo como de blues/rock seria um grande erro. Ele encontra-se mais perto do folk tradicional norte-americano, o que, é claro, não é um defeito; a maioria das músicas tem uma ótima base acústica, levada primariamente por violões com algumas vezes sobrepondo-se a guitarra inconfundível que tornaram os Straits uma das grandes bandas dos anos 80. O resultado final é bem legal, um som leve, bem arranjado, bom para se ouvir e relaxar.

O disco também possui ótima letras. Pode-se dizer que é de um álbum conceitual, ou algo bem próximo disso: a grande maioria das músicas fala sobre a vida de trabalhadores pobres e dignos, mundo da qual a família de Knopfler é oriunda, como se fossem pequenos contos organizados em versos. Why Aye Man, faixa de abertura, é um épico folk-proletário falando de imigrantes que viajam pela Europa; Devil Baby tem um humor bastante seco ao falar das atrações de um circo de aberrações; em Quality Shoe, o protagonista é um vendedor de sapatos; a faixa-título fala do sonho de natal de um trabalhador humilde. Apenas algumas destoam um pouco desse tema, mas nem de longe de maneira negativa – como A Place We Used to Live, uma tocante balada sobre lembranças nostálgicas ao se visitar uma velha cidade; e Coyote, uma das poucas com uma levada um pouco mais roqueira, que parece ser uma homenagem ao velho desenho do Papa-Léguas.

The Ragpieker’s Dream, enfim, é um disco bem interessante, mostrando uma maturidade artística de Mark Knopfler, mas ainda mantendo o seu estilo inconfundível de tocar. É um som leve, bom para música ambiente ou para se ouvir e relaxar, mas ainda assim muito bem arranjado e produzido.

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