Zone of Enders: the 2nd Runner

box-lBueno, talvez eu não jogue videogame há tanto tempo quanto algumas outras pessoas por aí, embora jogue já fazem alguns consideráveis anos. Pode não ser experiência suficiente para me dar autoridade de declarar obras-primas ou fracassos totais, mas acredito que seja o suficiente para que eu possa reconhecer um ótimo jogo quando jogo um. Afinal, um jogo para um jogador capaz de fazer duas pessoas ficar gruadadas em frente ao aparelho das dez da manhã até as duas da madrugada certamente não é um qualquer, certo? E Zone of Enders: the 2nd Runner é um jogo capaz disso.

Pra resumir a história toda, você assume o papel de Dingo Egret, piloto aposentado da organização militar BARAHM, atualmente um escavador de gelo em Callisto, uma das luas de Júpiter. Após um incidente envolvendo um robô enterrado na neve e um ataque militar aos seus colegas de serviço, o herói fica preso dentro do Orbital Frame Jehuty, uma das mais avançadas máquinas de guerra de sistema solar, e é tragado contra a sua vontade em uma trama épica envolvendo antigos aliados e inimigos, que pode decidir o destino de todo o universo conhecido.

Aqui acho que posso admitir meu pouco conhecimento sobre a cronologia de Zone of Enders – não joguei o primeiro jogo, e dos animes assisti apenas ao OVA Idolo -, o que pode ter me impedido de aproveitar a história do jogo de todas as maneiras que ela poderia me oferecer. Mesmo assim, pelo que foi apresentado, achei ela bastante interessante, fechada (ou seja, você não vai se sentir perdido se não tiver acompanhado todo resto), e com tudo aquilo que um grande anime de mechas deve ter – intrigas políticas, mensagens pacifistas, pilotos malucos, e, é claro, combates épicos entre robôs gigantes! Tudo isso contado através de ótimas cenas de animação nos diálogos entre os personagens (em contraste com as cenas com robôs, sempre feitas através de polígonos; pode ser só um detalhe, mas eu achei um virtuosismo interessante na direção do jogo) e embalado por uma excelente trilha sonora, sempre perfeita para nos dar a sensação dos momentos épicos ou tensos quando necessário.

Tá certo que em nenhum momento a história chega realmente a surpreender e ir muito além do que já é esperado, mas isso não a torna menos interessante. É possível ver a mão do mestre Hideo Kojima (e que me perdoem os fãs de Zelda e Final Fantasy, mas pra mim é ele o maior dos criadores de jogos) o tempo todo – desde os personagens e chefes, que mesmo quando secundários são legais demais para que você sequer pense que são descartáveis, até aqueles combates épicos e emocionantes, que fazem o nível de adrenalina subir como se você estivesse lá de verdade.

Agora sejamos realistas por um momento: quem realmente está prestando atenção na história? ZoE:t2R não é um jogo sobre uma história complexa cheia de filosofia que vai mudar a sua vida, mas sim sobre batalhas emocionantes em alta velocidade. O manual o descreve como High Speed Robot Action (ou Ação com Robôs em Alta Velocidade), e eu realmente não encontraria forma melhor de defini-lo – as batalhas são incrivelmente rápidas, e os controles instintivos o bastante para que isso em momento nenhum o atrapalhe. Há diversas opções de ação possíveis, de simples tiros e combos com a sua lâmina até agarrar objetos ou mesmo inimigos para usar como arma ou escudo. Junte a isso batalhas contra chefes variadas e interessantes, missões especiais com alguns complicadores extras (alguém falou em comandar um exército com dezenas de robôs?), uma inteligência artificial muito bem desenvolvida para os inimigos (que podem até mesmo se unir em pequenos esquadrões sob o comando de um líder), e aqueles extras típicos de Kojima-sama (que não adicionam muito a jogabilidade mas são extremamente divertidos), e você terá um jogo viciante como poucos.

Só pra não dizer que tudo é perfeito, há algumas coisas que poderiam ser diferentes. A troca de armas secundárias, por exemplo, poderia ser feita de forma mais instintiva, talvez usando os botões L/R ao invés do direcional. Também as missões extras poderiam ser mais variadas, usando algumas missões especiais presentes na história central do jogo (algumas eu certamente gostaria de poder jogar sem precisar passar por todo o resto do jogo antes). E o VS Mode também possui um pequeno problema de perspectiva de câmera que pode dificultar as coisas algumas vezes, além de que os robôs disponíveis possuem estilos de lutar muito diferentes entre si, o que causa algum estranhamento depois de passar o jogo todo usando apenas um deles antes de liberá-los.

Mas, honestamente, nenhum destes problemas chega sequer perto de arranhar os méritos do jogo. Mesmo depois de já ter terminado ele um punhado de vezes, de já ter visto e liberado todos os seus segredos, eu simplesmente não consigo parar de jogar. ZoE:t2R é, definitivamente, uma recomendação para todos aqueles que gostam de animes de mechas, bem como para quem gosta simplesmente de um bom jogo de ação.

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