Os Cérebros Prateados

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Os Cérebros Prateados é um livro escrito por Fritz Leiber, mais conhecido entre os fãs de fantasia pelas  famosas histórias de Fafhrd e Gray Mouser nas Crônicas de Lankhmar. Diferente da sua obra mais conhecida, no entanto, este chegou a ser publicado em uma edição nacional, nas antigas coleções de editoras como Hemos e Francisco Alves que hoje fazem a alegria de ratos de sebo como eu; foi uma destas edições a que encontrei, num dos saldões da Feira do Livro de Porto Alegre. Trata-se de uma história de ficção científica, mas não aquela cult, das tramas psicodélicas, distopias críticas e questionamentos filosóficos; é a FC barata e chinelona mesmo, aquela com aliens exóticos e robôs humanóides inteligentes. Isso não a torna, no entando, menos genial e criativa.

O cenário do livro é um futuro mais ou menos distante, quando a profissão de escritor sofreu uma grave mudança graças à invenção das Fábricas de Palavras, responsáveis por toda a literatura consumida na época. Tudo que um autor precisa fazer é inventar um título, escrever a primeira frase e inseri-los numa destas máquinas, e ela estatisticamente calculará qual é a melhor seqüência de palavras para desenvolver a história. O resultado não será uma brilhante obra de construção literária, mas é suficientemente legível e constante para que as grandes massas consumam avidamente, de forma que ela acabou por substituir completamente a ficção em prosa tradicional; o trabalho do escritor do futuro pouco mais é do que inventar títulos e manter um estilo de vida que gere interesse nos leitores. Um grupo destes novos escritores, no entanto, se revolta com esta situação e resolve voltar à escrever à moda antiga, destruindo em uma noite todas as Fábricas de Palavras conhecidas. Uma vez que fazem isso, no entanto, logo descobrem que, após tantos anos sem praticar, simplesmente não sabem mais como escrever um livro inteiro sozinhos!

É enquanto se concentra neste mundo literário do futuro que o livro está em seu auge – descrições como a dos escritores em rituais quase xamânicos em busca de inspiração para seus livros são hilárias e praticamente valem a leitura; bem como momentos posteriores, quando entram em cena os tais cérebros prateados que dão nome à obra, escritores do passado cujos cérebros foram conservados vivos e isolados do mundo. Nas entrelinhas é fácil perceber diversos pensamentos e ironias sobre a criação literária e o mercado editorial. Apenas no final ele acaba caindo um pouco para uma aventura de segunda categoria, daquelas com conspirações mirabolantes, tramas diabólicas, seqüestros e perseguições; até lá, no entanto, é uma obra ótima e divertida, que facilmente vale as horas de leitura.

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