Starman

starmanvol1Em geral, quando se fala super-herói, todo mundo já sabe mais ou menos o que esperar: ideais de justiça, poderes temáticos, roupas coloridas, cuecas por cima das calças… Há algumas pequenas variações aqui ou ali, claro; o Homem-Aranha é um adolescente em crise, o Batman tem aquela atitude sombria e misteriosa, o Justiceiro tem uma moral mais cinzenta e questionável. Mesmo assim, há todo um imaginário pronto, que talvez já nem se possa considerar tanto como clichê – eu diria que está no nível de um paradigma mesmo. E é sempre digno de nota quando se consegue quebrar paradigmas com eficiência, e trazer algo que soe novo sem por isso deixar de ser reconhecível como um produto de gênero. O Starman de James Robinson e Tony Harris é um ótimo exemplo disso.

Em um primeiro momento, ele parece muito com aquela tendência mais recente (muito embora as suas histórias tenham já quinze anos) da Era do Saudosismo, por assim dizer. Pode-se notar um certo tom de homenagem, visto que o Starman original pertenceu à Era de Ouro, e o seu legado é um tema importante nas primeiras histórias do volume, quando o protagonista Jack Knight, filho do herói, recebe involuntariamente o seu manto após a morte do irmão. E é a relutância dele em aceitar esse legado que o torna um personagem tão interessante e cativante – Jack é uma pessoa comum, com interesses comuns; é apenas um nerd e colecionador compulsivo com uma loja de antigüidades, que por acaso tem um pai um tanto mais famoso. Entre outras coisas, ele próprio reconhece o ridículo que é vestir uma roupa colorida com cueca por cima da calça, tanto que o seu uniforme, por assim dizer, passa a ser apenas uma jaqueta de couro e uma estrela de xerife, com um par de óculos de soldador para proteger os olhos do brilho do bastão cósmico; se a idéia do herói relutante não parece assim tão original (ok, o Peter Parker tinha exatamente o mesmo problema), apenas o fato dele ter essa visão mais mundana de si próprio já dá uma dinâmica diferente para as histórias, e ajuda a criar uma identificação com um público específico que, muito provavelmente, é aquele mesmo que se interessará por elas em primeiro lugar.

Aos poucos, é claro, Jack reconhece e aceita o papel de herói, à medida em que, mesmo querendo retornar à sua vida cotidiana e pacata, não consegue evitar os seres estranhos que habitam Opal City e arredores, em especial os outros Starmen do passado. Aí, talvez, a leitura possa ficar um pouco decepcionante – mas não por uma falta de qualidade da história, e sim pelo fato de que apenas o primeiro volume da série foi lançado pela editora Panini, e, considerando que há pouco tempo ele estava à venda por R$19,90 no Submarino (ocasião em que eu aproveitei para comprá-lo, visto que originalmente a edição custa mais de 60 reais), não me parece que tenha feito sucesso o bastante para justificar o lançamento dos demais. O que é realmente uma pena; há tanto que este volume insinua e promete, de visitas ao passado a personagens e situações insólitas, que é difícil não terminar ele querendo mais.

A arte de Tony Harris também não faz muito feio. É uma arte em geral mais realista, seguindo a tendência da época de lançamento da série, mas bem executada; algumas expressões e movimentos incomodam um pouco no início, mas ela melhora bastante no decorrer dos capítulos, com o ponto alto sendo a história em que Jack é visitado pelo fantasma do irmão. Os cenários também chamam a atenção, em especial as tomadas panorâmicas de Opal City, que lembram às vezes uma Gotham com alguns tons mais coloridos.

Starman, enfim, é uma série muito interessante, que consegue abordar o tema do super-herói de uma maneira original e criativa, além de bastante contemporânea. Gostaria muito de ter acesso ao restante da saga, e é certamente uma recomendação.

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