Canção do eZílio

Minha terra é sem palmeiras
Onde cante o Sabiá;
As aves que gorjeavam
Já não podem mais voar.

Nosso céu não têm estrelas,
Nossas várzeas não têm flores;
Nossos bosques não têm vida,
E a vida é só horrores.

Em cismar, sozinho, à noite,
De acordar e levantar,
Vejo sombras nas janelas
E vultos a rondar.

Minha terra tem horrores
De um deserto nuclear;
Em cismar – sozinho, à noite –
De sair pra respirar,
Levo junto a minha doze
Sempre pronta pra atirar.

Não permita Deus que eu morra
Sem poder fugir de cá;
Entre restos de palmeiras
E corpos de sabiás;
Onda a turba de zumbis
Pode vir me devorar.

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2 Responses to “Canção do eZílio”


  1. 1 Jose roberto 15/09/2009 às 00:43

    EXCELENTE!
    Na faculdade vi umas dez versões deste poema, essa é a melhor!

  2. 2 Willy Barp 15/09/2009 às 17:05

    A primeira versão desse ‘pastiche’ (de José Paulo Paes) tb é excepcional.
    =D


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