Spawn: Godslayer

SpawnGodslayerO Spawn é um dos super-heróis norte-americanos que mais facilmente se beneficia com reinvenções e adaptações, e a razão para isso é bastante simples: a sua origem é muito fácil de ser adaptada. Qualquer um pode fazer o mesmo pacto que o personagem principal da série fez, e receber poderes e obrigações semelhantes; assim, já surgiram Spawns em diversas épocas e com diversas características, desde a idade média até o velho oeste. E, por mais que a série em si tenha alguns elementos um tanto duvidosos, frutos da pior época dos quadrinhos norte-americanos, sem contar nos diversos problemas judiciais do autor Todd McFarlane com seus colaboradores, é difícil, para quem tem um gosto assumido pelo pastiche, não ter uma certa queda por essa característica. E Spawn: Godslayer, ainda, vai um pouco mais adiante nessa reinvenção, se desfazendo de toda a complexa mitologia desenvolvida em torno do personagem em anos de histórias para trazer de fato um novo universo inspirado no conceito da série.

No mundo retratado na história não existe Céu ou Inferno, que tinham um papel tão fundamental na série original, e a vida dos seres humanos é governada por diversos deuses, grandes ou pequenos – é, enfim, o seu típico mundo de fantasia épica, com a qual qualquer jogador de RPG deve estar bem acostumado. A missão – ou melhor, sina – do personagem principal, como o nome deixa a entender, é justamente a de matar estes deuses; é uma história interessante, que qualquer um com gosto pelo épico e pelo fantástico há de se interessar, e que reconstrói bem o mito do Spawn mantendo o seu conceito fundamental, o de ser um guerreiro amaldiçoado por um pacto demoníaco.

A arte usada para contar a história segue o padrão Alex Ross de ser, com um estilo ultra-fotográfico e elevado cuidado artístico, o que é um pouco como uma faca de dois gumes. Por um lado, é uma arte sem dúvida exuberante, que tem resultados mágicos em quadros grandes e panorâmicos; há páginas duplas belíssimas, como as da chegada do Godslayer pelo mar ou do despertar da serpente que guarda o templo da deusa, que dariam ótimos pôsteres e não fariam feio sendo exibidas em qualquer galeria de arte. Por outro, no entanto, falta movimento às imagens estáticas, o que torna difícil dar dinamismo à algumas cenas; isso é bastante visível nas cenas de ação, por exemplo, que ficam confusas em meio a tantos detalhes visuais.

De qualquer forma, Spawn: Godslayer ainda é uma história interessante, que, se não é a mais original e encantadora obra de quadrinhos dos últimos tempos, ainda deve fazer facilmente a cabeça de qualquer fã de metal sinfônico e mitolgia nórdica (o que é quase a mesma coisa, na maioria dos casos), e mesmo lá um ou outro fã de fantasia épica mais genérica (o que é mais próximo do meu caso, na verdade).

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