O Ritual

O carneiro amarrado berrava sobre o altar de pedra, ciente do destino que o aguardava. Um homem em um manto negro se aproximava pelo lado, sem tirar os olhos dele, em passos cuidadosos e ritmados, enquanto murmurava uma melodia em tons graves. Parou quando chegou ao lado do animal; retirou de dentro do manto um punhal com a ponta levemente encurvada e começou a afiá-lo na pedra do altar.

Cada passada do instrumento na pedra era acompanhada por uma palavra em uma língua desconhecida, o som próximo a um urro gutural, e um aumento no desespero da vítima. Quando estava pronto, o homem olhou nos olhos do animal, segurou-o e apertou-o pelo pescoço até ser capaz de ver a jugular pulsando sob suas mãos, e, em um movimento rápido, degolou-o, deixando o sangue escorrer sobre o altar e para o chão.

O homem parou por alguns minutos, os olhos vazios de emoção, segurando a cabeça silenciosa do carneiro enquanto o sangue escorria. Então soltou o animal e correu para o computador na sala ao lado. A empolgação logo tornou-se decepção: ainda não havia slots disponíveis para realizar o download.

Era hora de trocar de deus.

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