Melodia Infernal

melodiaDepois da overdose de mangás japoneses que ainda toma de assalto o mercado nacional de quadrinhos, bem como uns poucos manhwas coreanos que vez por outra saem por aí, Melodia Infernal agora nos traz, em dois volumes, um pouco dos quadrinhos chineses. O tema da história é a música, e a sinopse, em um primeiro momento, é bastante original: um grupo de suicidas impedido de entrar no paraíso monta uma banda de heavy metal, mas não encontra um guitarrista-solo que os agrade – ocorre que o músico perfeito para tocar com eles ainda está vivo, e eles precisarão, assim, forçá-lo se suicidar para entrar na banda.

Não se pode falar da história, é claro, sem mencionar a sua arte maravilhosa. O estilo chinês, aparentemente, tem uma ascendência no mangá, tanto nos traços suaves como no uso constante (às vezes até gratuito) de SD (ou Super-Deformed). O autor Lu Ming, no entanto, possui um estilo mais realista e detalhado do que é normal no Japão; mas, diferente de alguns artistas ocidentais, consegue fazer isso sem perder a noção de movimento, mantendo o dinamismo da narrativa. Um destaque especial vai para o cuidado no retrato das guitarras, com precisão quase fotográfica, e uma atenção nos mínimos detalhes do design de cada uma – para quem gosta de arranhar uns acordes vez por outra, é uma atração à parte nos volumes, e, para os leigos, o posfácio do Macartti, quadrinista e luthier, ajuda a lançar alguma luz sobre o assunto. O único ponto negativo aqui vai para as poucas cenas de páginas duplas, que ficaram deformadas na brochura da edição nacional.

Se a história parecia bastante promissora à princípio, no entanto, o seu desenvolvimento já deixa bastante a desejar. À parte pela arte magnífica, o roteiro é confuso, em especial depois que banda deixa o mundo dos mortos para ir atrás do guitarrista, e a própria personalidade do protagonista parece um pouco má definida, como se o autor não tivesse muita certeza de como quer que ele seja. Muita coisa é jogada no ar com pouco desenvolvimento, e há cenas e diálogos que parecem tirados de um filme de kung fu ruim, daqueles em que o discípulo do mestre morto, em uma única fala, joga na cara do vilão tudo o que sofreu até ali. Há alguns equívocos musicais menores, como o momento em que um guitarrista de blues (!) comenta que no heavy metal só se usa a escala pentatônica (hein?), mas até são passáveis, uma vez que é preciso entender um pouco de música para perceber; e o final também se deixa levar um pouco demais pela filosofia barata e a moral edificante (quem viu Evangelion vai entender o que eu quero dizer), mas isso também não é necessariamente um defeito.

De qualquer forma, à parte por esses problemas, Melodia Infernal ainda é um lançamento interessante, pela arte exuberante e também por trazer um pouco dos quadrinhos chineses para cá. Recomendo para fãs mais dedicados do universo musical, principalmente, que saberão apreciar detalhes como a arte dos instrumentos e as participações especiais durante a história; em último caso, ainda dá algumas idéias bacanas para usar em 3D&T Rock Band.

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