Storm Dragon

51RFRg1dojL._SS500_Eu sei que algumas pessoas têm um pouco de receio ao aplicar alguns rótulos como literatura de RPG, por exemplo. Muitas vezes, aquela mania meio enciclopédica de dividir e classificar tudo pode parecer um pouco exagerada mesmo. No entanto, de vez em quando há de se dar algum valor a essas divisões, em especial quando partem do próprio público, que, já sabendo de antemão o que quer, procura especificamente por livros dentro de certos temas e formatos. Por vezes todo um mercado marginal pode se formar em torno desses públicos, o que influencia autores a escrever diretamente para eles; e é então, acredito, que talvez se possa realmente falar de uma literatura de vampiros, de lobisomens, de RPG, etc.

Um bom exemplo disso é o mercado norte-americano de literatura fantástica, onde um nicho à parte existe apenas para suprir os jogadores e fãs dos diversos mundos de campanha para Dungeons & Dragons, algumas vezes marginalizado até por outros leitores de fantasia. É uma literatura que obedece a modelos e formas próprias, tem seus próprios best-sellers e autores de destaque, e, é claro, seus próprios altos e baixos. Acredito que Storm Dragon esteja provavelmente mais no primeiro grupo do que no segundo.

Não se pode, é claro, se desligar do fato de que o livro é, sim, literatura de RPG. Não só o cenário da história é Eberron, criado para a terceira edição do D&D, como o próprio enredo dela poderia facilmente passar por uma campanha pronta, com buscas por artefatos em masmorras, combates épicos com dragões, e tudo o mais que um bom mestre de jogo colocaria para desafiar seus jogadores. Os personagens têm todos os vícios de um herói aventureiro típico, inclusive o da motivação que por vezes não passa de um não tinha nada melhor para fazer, então resolvi viver uma aventura. A própria descrição deles às vezes parece ser feita como uma ficha de personagem – você quase pode ouvir o narrador dizendo Destreza baixa, Inteligência média, Carisma alto…

Por outro lado, literatura de RPG que seja, Storm Dragon é também uma boa literatura de RPG. A história é bacana, com bons mistérios e reviravoltas, e há bons momentos de ação. Talvez tenha me faltado um conhecimento maior do cenário para aproveitá-la por completo (conheço Eberron apenas a partir de resenhas), mas a achei suficientemente divertida e bem encadeada; o ritmo lembra o de um Final Fantasy, com viagens ao redor do mundo, “chefes de fase”, e até a aquisição de um airship nos capítulos finais para dar mobilidade ao grupo. Os personagens são interessantes, mesmo os mais próximos do clichê, e conseguem fazê-lo torcer por eles (ou contra eles) – destaque para o soldado warforged, um golem senciente (pense em uma espécie de robô medieval, se não souber do que se trata), e também para o interessante changeling capaz de mudar tanto a aparência como a personalidade. Até, vá lá, o protagonista relutante da vez tem seus bons momentos, e é eficiente em criar uma identificação com o leitor (ou, ao menos, foi comigo).

Enfim, Storm Dragon é uma leitura leve e despretensiosa, que eu classificaria facilmente como literatura-pipoca, como um daqueles filmes de ação repletos de tiros e explosões. Claro, não se trata de nenhuma Bas-Lag da vida, mas seria injusto querer que todos fossem. Quem gosta de fantasia possivelmente se divirta bastante, e acredito que fãs de Eberron devam ficar satisfeitos.

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