El Mundo Cabe En Una Canción

B000J34IXIFaz algum tempo que eu estou querendo escrever algumas linhas sobre o rock latino, e as razões pela qual, sabe-se lá o porquê, ele não é em geral tão conhecido por aqui quanto o norte-americano ou o inglês, apesar da proximidade geográfica e cultural bem mais evidente. Claro, tem o Santana, mas ele já é um astro internacional, e o Maná, que na verdade é uma banda de música romântica que as pessoas chamam de rock só porque eles são cabeludos; mas é bem menos do que a qualidade de muitos destes artistas merece. No entanto, por uma série de razões técnicas (leia-se preguiça), eu sempre acabo adiando de escrever esse texto, até hoje, pelo menos, onde eu aproveito essa resenha para destacar essa questão.

Não, claro, que o argentino Fito Paez possa ser considerado propriamente como um artista latino sem repercussão no Brasil. Ainda que certamente em um nível menor que os anteriormente citados, Fito, bem como o conterrâneo Charly Garcia, são bastante conhecidos por aqui sim, pelo menos pelo tipo de gente que cria blogs na internet e estuda ciências humanas ou artes – e, como esse tipo de povo tem bastante voz nos meios de comunicação, pelo menos em Porto Alegre os shows dele costumam reunir um público comparável ao de qualquer medalhão do pop/rock nacional. Ele tem até mesmo músicas gravadas pelos Paralamas do Sucesso, Titãs e outros artistas, bem como participações especiais em discos destas e outras bandas de renome. No entanto, ainda é um nome um tanto exótico de se mencionar em conversas sobre música, e da qual nem todos os que cantarolam suas músicas gravadas por artistas nacionais sabem associar às obras que fez.

El Mundo Cabe En Una Canción, disco de 2006 pouco conhecido por não-iniciados, é um bom exemplo do que estão perdendo: um ótimo pop/rock de riffs de base melódicos e refrões bacanas, e letras críticas e introspectivas (pra quem faz questão de prestar atenção, claro). É o tipo de disco com que todo empresário musical sonha: hits em potencial do início ao fim, excelentes canções de melodias assobiáveis e arranjos gostosos de ouvir, mas nem por isso descartáveis – há uma notável integridade artística e até uma certa pretensão conceitual, algo meio Engenheiros do Hawaii, com frases que se repetem nos refrões e arranjos instrumentais que fazem referências uns aos outros. É realmente uma pena que pouca gente mais por aqui tenha ouvido – ou sequer venha a ouvir – pérolas como a faixa-título, Sargent Maravilla, Fue Por Amor, La Casa de Las Estrellas, Caminando por Rosario… Enfim, o disco todo.

De qualquer forma, fica a recomendação.

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3 Responses to “El Mundo Cabe En Una Canción”


  1. 1 Rafaela 21/10/2009 às 21:41

    Realmente não conheço quase nada do rock latino. Mas isso é bem mais por razões técnicas (leia-se preguiça) do que por falta de interesse.

  2. 2 Bruno 21/10/2009 às 23:45

    Se puder, procura Circo Beat, disco dele acho que de 94, que é o mais conhecido (é o que tem Mariposa Tecnicolor). É muito bom. Ou o Euforía, que é um disco acústico de 96, se não me engano.


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