Chinese Democracy

chinese-democracy-capaForam quatorze anos entre o anúncio e, enfim, o lançamento do Chinese Democracy, último disco do Guns N’ Roses, e tenho certeza que a pergunta básica que qualquer fã que ponha as mãos nele gostaria de saber é: valeu a pena? Em uma resposta curta, não. O disco certamente não valeu esse tempo todo de espera.

Isso, no entanto, não faz dele necessariamente um disco ruim – o que se pode dizer com certeza é que é diferente. Com exceção da faixa-título, que tem uns riffs e solos que até lembram um Slash genérico, as músicas deste poucas vezes soam como o Guns N’ Roses com que todos se acostumaram. Há flertes com o rock industrial, com a bacaninha Shackler’s Revenge, e até com o pop-rock de FM, com If the World, que quase poderia ser uma música da Rihanna. Para além dos experimentalismos com batidas e efeitos eletrônicos, ainda, em muitas músicas o próprio Axl Rose, vocalista ditatorial e único remanescente da formação clássica, canta em tons mais graves, embora os seus famosos gritos agudos ainda estejam bem reconhecíveis quando aparecem. Em geral, eu diria que as músicas deste lembram um pouco mais o Guns de Civil War e Coma que o de Sweet Child O’ Mine e Paradise City.

A grande questão é até que ponto ser diferente é necessariamente ruim. Guns foi uma ótima banda, mas também um fruto da sua época – foi o ápice das bandas cabeludas do rock pesado pré-grunge no fim dos anos 80, ao mesmo tempo a melhor delas e a que acabou com o gênero (afinal, por que você ouviria Def Leppard ou Poizon se podia ouvir Appetite for Destruction?). Muitos dos seus grandes sucessos, como Welcome to the Jungle e You Could Be Mine, se mantém ainda incrivelmente bons e escutáveis mesmo vinte anos depois. De um ponto de vista mais amplo, no entanto, o seu rock pesado em tons agudos, baladas acústicas com dúzias de violões e clipes recheados de super-modelos hoje parecem um tanto datados, resquício de uma época ultrapassada em que um banda de rock podia sonhar em ser épica e grandiosa sem soar como o My Chemical Romance. Havia muito de energia pós-adolescente nos seus primeiros discos, aquela época em que se acha que pode destruir tudo o que há de errado no mundo e então reconstruir tocando uma guitarra, e há algo de patético em alguém de quarenta anos tentando manter o mesmo tipo de atitude – pergunte ao Mick Jagger. Nisso certamente há de se admirar a coragem (ou pretensão megalomaníaca, segundo muitos) do Axl em ao menos tentar fazer algo diferente, mais maduro, evitando o caminho fácil de virar um cover de si mesmo.

No fim, Chinese Democracy não é um disco ruim. Não é aquela bomba que muita gente anunciou; só não é também um disco que valha treze milhões de dólares e quatorze anos de espera. Há algumas faixas bem interessantes, como There Was a Time e Street of Dreams, e até, vá lá, dá pra escutar ele todo uma ou duas vezes vezes sem encher o saco e parar no meio.

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4 Responses to “Chinese Democracy”


  1. 1 Willy Barp 11/11/2009 às 16:35

    Fui fan de carteirinha do Guns. Daqueles de clocar poster no quarto, deixar o cabelo crescer pra ver se ficava = ao Axl e cantar dia e noite sem parar Mr Brownstone e Rocket Queen… Mas quando eles “terminaram” com a música eu começei a escutá-los… Comprei todos os dicos e coisas afins e até escutei o Chineses Democracy há alguns meses quando um amigo meu baixou pela internet. Antes, aficcionado e comprador compulsivo de qualquer piorcaria que saísse com o GNR estampado na capa, incrivelmente não nem me dei ao luxo de comprar o album “novo”. Até gostei do que escutei na casa do meu conhecido, mas quer saber, to preferindo My Chemical Romances mesmo…
    =D
    Grande texto, parabéns!

  2. 2 Fabiano 20/01/2010 às 20:07

    Ainda existe o Guns’n’Roses?

  3. 3 anonimol 04/03/2010 às 17:50

    o axel tah vivo???

    • 4 murilo manzano 13/03/2010 às 02:37

      apesar de estar rolamdo boatos de que o axil rosel esteja morto, isso no fas diferena alguma para a p*rra da emprenssa, eles fiseram suas criticas no disco do democracy chinese e para mim eles modificaram o meu dia-a-dia do modo de refletir!!!

      “apropsito, as msicas que eu mais gostei deles foi CIVIL WAR(Guerra civiL) que se fala sobre a questo do genocdio em massa e de os presidentes poderem comprar os soldados como se estivessem em um armazem humano”

      obrigado 😀


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