Futebol ao Sol e à Sombra

tempcapawi6Acima do futebol, está a lenda, bem diz o uruguaio Eduardo Galeano em Futebol ao Sol e à Sombra, seu livro de crônicas sobre o esporte. Uma estranha magia se impõe ao esporte. E o jogo se transforma em saga, desperta paixões, cria mitos, heróis, glórias e tragédias. Exagero? Não na minha opinião, pelo menos, como já comentei em outro momento, e constantemente sou lembrado pela literatura e os feitos de um certo time, em especial como são relatados pelo seu cronista oficial.

À parte da minha birra de historiador, é impossível não admitir que Galeano possui uma prosa bastante envolvente, da qual é difícil se desgrudar. Ao se terminar de ler um texto, o primeiro pensamento que vem à cabeça é um “só mais um e eu paro para fazer outra coisa”; e ao terminar o seguinte também, e outra vez no próximo, ad infinitum. As primeiras crônicas, principalmente, em que ele explica as características básicas do esporte, são realmente ótimas, repletas de passagens memoráveis e frases de efeito marcantes (quer uma melhor definição de árbitro do que o árbitro é arbitrário por natureza?). Em um dos textos mais interessantes, por exemplo, o autor se utiliza de linguagem militar para descrever uma partida valendo um título – pura literatura.

O livro perde um pouco desse encanto inicial, no entanto, a medida que desenvolve, relatando a história (ou melhor, histórias) do futebol, desde seus predecessores na antigüidade até as Copas do Mundo recentes (o livro originalmente foi escrito em 1995, mas as edições mais recentes contém textos posteriores sobre as Copas de 1998 e 2002). Percebe-se, então, um certo grau de saudosismo e nostalgia do autor: os jogadores do passado são sempre mais puros, mais soltos, mais alegres, enquanto todo o futebol do presente é manchado pelas negociatas, pela busca incessante do lucro financeiro, pelos sistemas de jogo eficientes porém medíocres, etc.

O que não o torna uma leitura menos apaixonante, é claro. Mesmo para quem não gosta de futebol ele merece ao menos uma olhada, pois trata-se de literatura da melhor qualidade, com direito a um roteiro cheio de intrigas, reviravoltas, heróis e vilões. E para quem é apaixonado pelo esporte, então, é uma leitura mágica.

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Sob um céu de blues...

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@bschlatter

  • Faltou o Douglas canastra suja pra resolver esses pênaltis. 3 hours ago
  • O narrador tinha até esquecido como gritava gol. 3 hours ago
  • Sigo um Portaluppista dos Últimos Dias convicto, mas sejamos sinceros com nós mesmos. 4 hours ago
  • Desde o primeiro jogo que escalou reserva e desistiu do outro campeonato. 4 hours ago
  • Pode rolar qualquer coisa, o time que fizer um gol mata esse jogo. Mas o Renato bem tá merecendo esse resultado há uns seis meses. 4 hours ago

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