Midshipwizard Halcyon Blithe

Midshipwizard Halcyon Blithe é uma história de fantasia escrita por James M. Ward, veterano da indústria de RPGs responsável por alguns clássicos como o cenário pós-apocalíptico Gamma World e a série de romances Pool of… de Forgotten Realms. Pelos comentários na contra-capa e trechos de resenhas que abrem a edição, nota-se que ele é vendido como uma espécie de sucessor espiritual de Harry Potter, mas trocando o ambiente acadêmico de Hogwarts pelo da marinha militar, ainda que mantendo um cenário repleto de magia e criaturas fantásticas – além de Potter, a série também é bastante comparada com as histórias de Horatio Hornblower, personagem da literatura do início do século XX que também se envolve em histórias em alto-mar.

Bueno, eu não tenho como dizer se ele realmente cumpre a promessa de suceder ao bruxo pop, já que não li nenhum dos livros de J. K. Rowling e nem ao menos vi os filmes (com exceção do primeiro, que eu vi dublado no SBT, e achei bem chatinho). No entanto, acho que posso dizer que não uma história de todo ruim – não é um livro mal escrito, daqueles que não se consegue ler duas frases sem parar para respirar, e o autor, com a experiência que tem, consegue construir um cenário com elementos interessantes, pelo menos para quem gosta de brincar de imaginar mundos fantásticos. A idéia dos barcos-dragões, por exemplo, é bem legal, principalmente a descrição da forma como eles são criados, uma idéia bastante criativa. O funcionamento da magia também tem algumas sacadas interessantes, e há pelo menos dois momentos – a tempestade e o julgamento do personagem principal por desrespeitar os artigos de guerra – em que o autor consegue construir alguma tensão eficiente. No entanto, apesar de destacáveis, estes pontos positivos não mascaram o grande problema do livro.

Halcyon Blithe é, como a série que tenta suceder, uma história assumidamente juvenil. Os personagens principais são adolescentes, e o mundo todo parece girar em torno dos seus anseios e histórias pessoais. A freqüência, por exemplo, com que é dito que o personagem principal está destinado a realizar alguma coisa grande – porque vem de uma família tradicional de magos, porque é o sétimo filho de um sétimo filho, porque despertou poderes mágicos tardiamente, porque tem uma marca mística, porque possui um ancestral demoníaco, e por aí vai – é realmente irritante. Além disso, esta é a primeira história da série, de forma que deixa muitas pontas soltas, e o seu próprio roteiro é meio simplório e sem grandes repercussões, fora ainda alguns deus ex-machina meio forçados para resolver certas situações em que o autor coloca os personagens. Também não há muitos momentos de ação – o livro se concentra mais no dia-a-dia e na rotina da vida em alto-mar do que em combates épicos entre embarcações -, e nem ao menos uma fantasia exuberante como a de Stardust, do Neil Gaiman, ou uma narrativa elvonvente e personagens cativantes como os de Os Olhos do Dragão, do Stephen King, só pra citar duas obras que, apesar de juvenis, conseguiram me conquistar.

Enfim, apesar de tudo, Midshipwizard Halcyon Blithe não é um livro ruim. Como destaquei lá no início, ele é vendido como uma tentativa de sucessor para Harry Potter, e até não acho improvável que alguém procurando uma nova Hogwarts a encontre nesta série. O grande problema é que não é exatamente o que eu estou procurando.

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