Crônicas de Lankhmar

As histórias de Fafhrd e Gatuno (Grey Mouser, no original) na cidade de Lankhmar, criados por Fritz Leiber na década de 1930, estão entre as mais conhecidas e influentes histórias de fantasia. Diferente de outros ícones do gênero espada & feitiçaria, no entanto, como o Conan de Robert E. Howard ou o Elric de Michael Moorcock, nunca foram lançadas no Brasil, onde, de maneira geral, o autor é um pouco mais conhecido por algumas obras de ficção científica. Para o público brasileiro que não domina bem línguas estrangeiras, assim, resta a versão em quadrinhos, Crônicas de Lankhmar, lançada algum tempo atrás pela editora Devir.

Publicada originalmente no início dos anos 1990, a adaptação tinha como artista um então pouco conhecido Mike Mignola, ainda antes do lançamento de Hellboy, sua série mais famosa. E a arte em si não decepciona: é ágil e bem feita, já mostrando sinais do estilo que o consagraria, e ilustra bem o cenário e os personagens. O ponto fraco mesmo está na narrativa – todas as histórias são adaptadas diretamente de contos da série, e a conversão para a linguagem dos quadrinhos às vezes deixa a desejar; o desenvolvimento da ação é um pouco rápido demais, e muitas vezes se tem a impressão de que alguma coisa ficou faltando, como se tivesse sido necessário cortar cenas importantes.

O que não quer dizer, no entanto, que não sejam boas histórias por isso. Passando por esse detalhe, pode-se ver bem que o seu conteúdo é bastante interessante, com um cenário rico e original, bastante ação e aventura, do tipo que te deixa com vontade de jogar RPG, e boas doses de humor. Lankhmar é, ao mesmo tempo, uma bela cidade de fantasia, um ambiente noir repleto de sujeira e intrigas, e uma ótima paródia de ambas as coisas; e os personagens, sobretudo os dois protagonistas, são divertidos e cativantes. Destaque para as histórias O Bazar do Bizarro, onde um grupo de mercadores extra-planares usa de feitiçaria para vender itens sem valor, e Tempos Difíceis em Lankhmar, que tem como cenário a Rua dos Deuses, onde acontece uma espécie de feira livre de divindades e religiões.

Crônicas de Lankhmar, enfim, tem o mérito de trazer a um público maior estes personagens clássicos, que de outra forma seguiriam desconhecidos de muita gente, além de apresentar um pouco do trabalho do Mike Mignola antes da sua obra mais célebre. E, passando por cima dos problemas de narrativa, é possível sim se divertir bastante com as histórias, que são interessantes e criativas. Só é difícil não ficar com a impressão, ao fim da leitura, de que as versões originais devem ser muito melhores…

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