O Cânion

O guerreiro suspirou profundamente, olhando a paisagem que se estendia à sua frente: o horizonte se alargava em um meio-disco de luz, do outro lado da piscina de nuvens onde os pássaros voavam como peixes e cujas bordas eram as paredes rochosas daquele grande cânion. As pernas e os pés descalços doíam, gastos pelas extensas caminhadas, cobertos pelo sangue seco que escorria de dezenas de ferimentos causados por animais, pedras e espinhos. O tronco descoberto doía, exausto pelo esforço em se manter firme nas subidas íngremes, coberto de cicatrizes e cortes formando traços e padrões aleatórios. As mãos doíam, as palmas em carne vermelha e pulsante após a pele externa ser raspada pelas pedras salientes onde precisara se apoiar; a esquerda segurava uma lança, a ponta quebrada perdida no estômago de um felino selvagem que lhe arrancara um olho, e a direita um meio escudo de madeira, a outra metade destroçada pelas garras de um urso que deixara mais do que apenas marcas no restante do braço. Assim ele observava aquela paisagem, por um instante, dois, três… E então, satisfeito, deu meia-volta para começar o caminho de volta.

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Sob um céu de blues...

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