Encruzilhada

– Sim!

– Não! – e naquele instante o mundo se dividiu em dois, duas realidades distintas que seguiram seu caminho, cada uma dando razão a um dos lados em conflito.

Em uma, seguiu-se a paz perfeita: um mundo de luminosidade e maravilha, de torres envidraçadas e campo verdes e floridos. Por todo lado as crianças brincavam com seus jogos e brinquedos, correndo despreocupadas pelas ruas e praças, enquanto os adultos conversavam e refletiam em bares e mesas ao ar livre, compondo canções sobre a melancolia da vida, o medo da solidão, a nostalgia do sol e das nuvens do ano anterior que eram sempre mais belas que as do ano corrente.

Na outra, sobreveio o desastre: um mundo de treva e sofrimento, de ruínas e céus escurecidos. Por todo lado se via a destruição, gangues de garotos em choque pelo pedaço de pão envelhecido que sustentaria noite, mãos trêmulas apertando os filhos contra o corpo da mãe, recebendo marcas e queimaduras das gotas de chuva que caíam. E em algum lugar, num canto espaçoso sob escombros, à luz de uma pequena fogueira, adultos falavam alto e riam, cantando canções sobre a alegria da vida, a sorte de estar vivo, e a despreocupação com a morte que os cercava por todos os lados e era, afinal, inevitável.

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2 Responses to “Encruzilhada”


  1. 1 Willy Barp 21/04/2010 às 18:41

    O antigo arquétipo dos opostos…
    N sei se me agrada muito isso: dar aos contrários a variação da existência. Certamente não concordo com como Platão, por exemplo, que vê aí a essência das coisas; talvez eu acredite (mas disso n entendo muita coisa) mais nos orientais que vêem nesse joguete de diferenças uma existência que antes de excluir e afastar os opostos, os liga e os funde…
    Bem. É isso. Mas gostei do mini-conto!
    =D

  2. 2 Bruno 22/04/2010 às 00:16

    Bom, no fundo, qualquer idéia ou conceito já contém implícita a própria oposição – é só adicionar um “não” na frente =P Então talvez dê pra dizer que não se existe de outra forma senão como um jogo de opostos, como uma linguagem binária de computadores. A menos, claro, que tu entre na computação quântica, aí complica tudo de novo…

    Em todo caso, valeu o comentário, como sempre =)


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