Última Esperança

Tinha que dar certo. Precisava dar certo. Nenhuma outra possibilidade passava pela cabeça de Júnior. A Terra fora invadida pelos glogons, do planeta Glog, que destruíam tudo o que estava em seu caminho. Homens, mulheres, animais, cidades, natureza: nada resistia à sua fúria incontrolável. E não havia, na Terra, qualquer arma capaz de detê-los; tudo e todos eram vítimas indefesas contra a invasão alienígena.

A menos, é claro, que Júnior conseguisse realizar a façanha: chegar até a torre de transmissão da TV local e transmitir via satélite o sinal assassino que descobrira por acaso, enquanto desmontava o seu velho videogame. Se estivesse certo, este sinal era a única esperança da humanidade frente à extinção absoluta; se estivesse errado… Bem, era melhor nem pensar a respeito.

Já fora um grande feito apenas chegar até ali. Diversos sacrifícios ficaram pelo caminho: Pedro, o valentão da escola, por quem Júnior nutria uma raiva incondicional após anos de surras e humilhações, demonstrara o seu espírito heróico ao se atirar sozinho contra uma tropa de glogons ainda na rua, dando tempo para o resto do grupo entrar na estação da torre; Ricardo, melhor amigo de Júnior, ficara na entrada do prédio, bloquendo a porta contra os aliens do lado de fora; e Jacque, a paixão platônica inalcançável por quem Júnior finalmente conseguira se declarar em meio à adrenalina e tensão do momento, jazia inconsciente ao seu lado, após o confronto contra o último glogon que invadira a torre e os impedia de entrar na sala de transmissão. Pelo menos ela ainda estaria ali depois que o sinal fosse transmitido e a Terra salva, pensava Júnior, e poderiam gozar juntos da glória que viria em seguida. Tudo o que precisava era digitar o comando para enviar o sinal, e então…

A porta se abriu em um estrondo: os glogons que estavam do lado de fora haviam furado o bloqueio de Ricardo, cujo corpo em pedaços era carregado para dentro da sala. Júnior se esforçou para controlar o pânico, digitando os comandos no painel de controle o mais rápido que podia, se virando a cada botão pressionado para olhar os alienígenas que se aproximavam.

Conseguiu! O último comando fora realizado, e ele respirou aliviado. Virou-se e olhou para as criaturas que se aproximavam: a qualquer momento começariam a cair mortas pelo chão.

Ou não.

Os monstros continuavam avançando; Júnior olhou para as telas de TV que haviam no painel, e verificou que em todos os lugares os aliens continuavam atacando, aparentemente sem sofrer qualquer efeito pelo sinal que era transmitido. Ele estava errado, afinal: não havia sinal assassino salvador, e toda a esperança da Terra estava acabada.

Agora eu nunca vou saber como acaba o Metal Gear 4, foi seu último pensamento antes de ser desmembrado pelos primeiros glogons que o alcançaram.

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