Fábrica

Uma peça, e depois outra, e depois outra: assim corre a linha de montagem. A esteira se estende de um horizonte ao outro, segmentada pelo campo de visão. Operários sem rosto se posicionam nas margens, encaixando porcas, batendo pregos, torcendo parafusos, e deixando-a correr até o seguinte. Aos poucos o produto toma forma: uma perna, que se encaixa em um quadril, que se encaixa em um tronco.

Ele levanta. Relutante, dá os primeiros passos para fora do leito primordial; um pé à frente, então o outro, e então de novo. Mexe os braços, vira o torso e balança a cabeça, testando as articulações. Por fim, dirige-se ao fim da linha de operários, tomando a posição ao lado daqueles que o criaram, e começa a cumprir sua função designada: encaixar porcas, bater pregos, trocer parafusos; em uma peça, e depois outra, e depois outra…

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