The Power of Eternity

Já falei um pouco do Wishbone Ash por aqui, uma daquelas bandas obscuras dos anos 70 que poucos conhecem mas muitos deveriam. Vai lá na minha resenha sobre o seu show de aniversário de 30 anos se quiser saber por onde começar. De qualquer forma, o importante é destacar que The Power of Eternity é o último lançamento inédito deles, de 2007.

De cara, é bom destacar que o tipo de som que eles fazem hoje em dia não é de todo semelhante ao som que eles faziam nos seus tempos áureos. Eles evoluíram, e, em certa medida, envelheceram – apenas um dos membros originais continua na banda, e de resto ela está em constante mutação, com músicos jovens entrando e velhos sendo despedidos; algo assim como os Engenheiros do Hawaii dos últimos tempos. Com isso os álbuns acabam sendo um pouco inconstantes, já que os músicos não têm oportunidade imprimir a sua marca mais profundamente nas músicas. O principal, no entanto, continua lá – aquele bom e velho rock setentista de riffs fortes e pegada blueseira, com guitarras em primeiro plano e ritmo eficiente.

The Power of Eternity é um bom exemplo, apesar dos altos e baixos por que passa. Ele demora um pouco pra engrenar, começando com algumas músicas mais fracas como The Power, que lembra um pouco aquele proto-heavy metal que eles faziam em algumas músicas dos primeiros discos, ou Driving A Wedge, que, apesar de ter um suingue bem legal, não chega realmente a empolgar. E In Crisis ainda resgata aqueles solos vazios e entediantes que eram tão caros ao rock progressivo naquela época.

As coisas começam a melhorar depois da soturna Dancing With the Shadows, que lembra Alice in Chains com uma base de power chords e vocal com notas extendidas. Happines volta a ser chatinha, mas a calma Northern Lights é ótima, com um instrumental belíssimo e introspectivo, apesar de curto; o tipo de música pra se ouvir bebendo vinho e refletindo sobre a vida. A balada Your Indulgence também tem uma boa melodia e um arranjo bem bacana, com um dedilhado acústico bem interessante e uma levada mais pop e gostosa de ouvir.

Growing Up já é um rock mais clássico, daqueles com riffs altos de guitarra, linhas de baixo grudentas e quebras instrumentais a cada estrofe; é ótima pra quem gosta desse som mais clássico, meio hard blues, o que é bem o meu caso. Disapearing é uma das melhores faixas do disco, uma balada bem bacana com um arranjo calmo e cheio de suingue. E Hope Springs Eternal fecha o disco muito bem, com um arranjo meio messiânico e um certo toque de orientalismo sessentista.

De forma mais geral, o que se pode destacar é, antes de mais nada, que o Andy Powell, ainda que seja o dono da banda, não possui exatamente uma voz muito forte para fazer os vocais principais; ele certamente não tem a mesma naturalidade para cantar que tinham o Martin Turner e o Laurie Wisefeld nos tempos áureos do grupo. O lado instrumental, no entanto, segue cuidadoso como sempre, apesar de fazerem falta solos de twin lead mais marcantes, justamente aquilo que era a sua principal marca no passado. Enfim, The Power of Eternity não é o melhor Wishbone Ash, certamente – se realmente quer saber o que a banda tem de tão especial, procure lá os álbuns clássicos como Argus ou No Smoke Without Fire. No entanto, ainda é um ótimo disco, anos-luz a frente do que muita gente mais jovem tem feito ultimamente.

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