Transformers

Ah, a adolescência! Aquela época mágica, poética, repleta de sonhos quixotescos e paixões platônicas, em que o universo parecia girar em torno de alguma instituição escolar e aquilo que se fazia dentro e em volta dela (e é óbvio que eu não estou falando de estudar), e pouco havia fora desse mundinho da qual valesse a pena saber alguma coisa. Aquela época onde leis sociais confundiam-se com leis naturais, e o maior desastre da humanidade passava por um vexame inevitável na frente daquela colega de classe que nunca lembrava o teu nome. Enfim, aqueles gloriosos anos das quais muitos lembram-se com nostalgia e saudosismo, mas da qual os próprios adolescentes não vêem a hora de sair, nem que para isso seja necessário destruir metade da cidade em um combate épico entre robôs gigantes.

No seu cerne, é nisso que se resume o filme Transformers: a jornada de um nerd em idade escolar até a maturidade, se possível conquistando no caminho aquela garota que só dá bola para brutamontes do time de futebol, ou outra variante qualquer do cara-mais-popular-que-você. Sim, você já viu essa história antes, e provavelmente mais de uma vez. No fundo, no entanto, se é uma história tão contada e recontada, é porque tem alguma coisa a dizer para alguém, e com a qual é fácil se identificar, especialmente entre aqueles que passam por esse período por vezes assutador que é a adolescência, justamente o público-alvo do filme. Não é um demérito, portanto – ainda mais quando é um sub-texto apresentado de forma eficiente, ainda que um pouco forçado algumas vezes (como é mais do que comum e esperado), em meio àquilo que é pra ser a verdadeira razão de ser do filme, qual seja, robôs gigantes que se transformam em veículos motorizados degladiando-se no meio de Nova York.

E aqui, é claro, é certo que muitos fãs prefeririam que o filme se resumisse a esta segunda parte, bem como que todos os modelos dos carros e veículos permanecessem os mesmos das séries clássicas, e muitas outras exigências típicas; coisa de puristas chatos, algo que eu não sou (bom, pelo menos não a parte do purista). De qualquer forma, os combates épicos estão bem legais, com explosões e pirotécnias na medida, que não chegam mesmo a passar do ponto; e o fato de o roteiro em si se focar mais nos personagens humanos do que nos transformers o ajuda a não cair tanto no ridículo na maior parte do tempo, o que seria algo muito fácil de acontecer – tão fácil, aliás, que o próprio filme aproveita todas as oportunidades para tirar sarro de si mesmo, o que resulta em alguns momentos realmente engraçados (como os robôs gigantes se escondendo atrás de árvores e casas para não serem vistos) e outros nem tanto assim (como as piadas com os, ahem, “lubrificantes”), mas que de qualquer forma ajudam, e muito, em fazer o filme valer o ingresso.

Enfim, admito que realmente estava com as expectativas lá embaixo para esse filme – a possibilidade de sair algo estúpido e enfadonho era enorme. Com alguma sorte e se eu estivesse de bom humor durante a sessão, talvez fosse um filminho passável, e não muito mais. Mas, vejam só, não é que ele é legal mesmo? É um filminho adolescente, é bem verdade, daqueles que farão a alegria das Sessões da Tarde do futuro; mas eu realmente não vejo isso como um demérito, como já destaquei em algum momento. E, filme de Sessão da Tarde que seja, Transformers é um bom filme de Sessão da Tarde. A única questão que realmente fica, pra mim, é onde diabos estavam todos esses robôs gigantes e escolas de magia e invasões alienígenas durante a minha adolescência.

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@bschlatter

  • Faço greve há anos na educação pública, e é triste fazer uma greve que não afeta ninguém que importa pro jornal nacional. 9 hours ago
  • É óbvio que greve prejudica. Uma das razões dela é mostrar o que acontece quando trabalhadores não veem razão pra trabalhar. 9 hours ago
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