The Warriors

Qualquer um envolvido há algum tempo com o mundo dos jogos de videogame, seja como simples jogador ou mais aficcionado, sabe que os games baseados em filmes raramente são muito bons. Alguns dizem que é porque, estando com um lucro razoável garantido pela promoção que o cinema garante, os produtores acabam relaxando e colocando pouco esforço para que o resultado final seja realmente digno de nota. Quem, no entanto, esperar ver em The Warriors apenas um jogo tosco feito para faturar em cima dos nostálgicos fãs do filme, pode se surpreender com um muito bacana, bem trabalhado e divertido de se jogar.

Pausa para resenha obrigatória do filme. Lançado em 1979, The Warriors (Os Selvagens da Noite, no Brasil) conta a história dos Warriors (duh), uma gangue acusada de assassinar um cairsmático líder que pretendia unir todas as gangues de Nova York contra o governo local, enquanto eles tentam fugir de volta para os seus domínios. O destaque do filme era a forma caricata como muitas gangues eram retratadas, cada uma com um jeito de vestir, falar e agir próprios – desde fãs de baseball com uniformes, bastões e caras pintadas até palhaços com facas e cartolas; poderia muito bem ser um RPG da linha Storyteller, e não estaria nem um pouco deslocado. Mas não se engane: apesar da caracterização, The Warriors não é uma comédia, mas sim um filme de ação que retrata de forma bastante crua o tema da violência entre gangues.

O enredo do jogo trata dos eventos que antecedem a história do filme, começando noventa dias antes do “incidente”. Como seria de esperar, boa parte dele se resume à boa e velha pancadaria de rua a lá Final Fight / Streets of Rage. O sistema de combate é bem funcional: há dois botões de ataque que podem ser combinados em diversos combos, pode-se agarrar os oponentes para espancá-los melhor, agarrar armas como pedaços de madeira e garrafas quebradas no chão, e outras coisinhas igualmente inocentes e pacíficas. Há também uma barrinha de “fúria” que, quando cheia, permite entrar em um estado em que seus ataques causam mais dano. E, claro, não estamos falando do típico estilo um (ou no máximo dois) contra muitos tão tradicional do gênero, mas sim de brigas de gangues completas – ou seja, muitos contra muitos. Dependendo da situação, até nove membros podem estar brigando em cada lado, resultando em verdadeiras batalha épicas de rua! Um sistema bastante simples usando o o botão R2 e o analógico direito permite a você dar ordens simples à sua turma, garantindo também que estes embates não se tornem (muito) confusos.

Quem espera que o jogo se resuma a isso – pancadaria entre gangues, com uma ceninha aqui e ali pra variar e avançar o enredo – também pode se surpreender. A lógica de poder entre gangues envolve muito mais do que apenas a capacidade de uma de espancar a outra, e você vai descobrir isso quando for requisitado, por exemplo, para pichar as iniciais da sua gangue nos muros de áreas de rivais. Mas é claro que o spray para a pichação não cresce em árvores – você precisa comprá-lo, e para tanto será necessário conseguir dinheiro assaltando pessoas nas ruas, roubando rádios de carros e arrombando fechaduras de lojas para levar seu conteúdo. Polêmico? Bom, não no mundo dos jogos pós-GTA. Cada uma dessas ações também envolvem uma espécie de mini-game próprio – para roubar o rádio de um carro, por exemplo, você precisará girar o direcional esquerdo para retirar os parafusos; pichar um muro requer que você passe o spray sobre um desenho da letra W; e por aí vai.

E este é também um dos pontos fracos do jogo: com a quantidade de coisas diferentes que você tem para fazer, algumas delas acabaram ficando simplificadas demais. Por exemplo, nas missões em que você precisa passar despercebido pelos inimigos, no estilo Metal Gear de ser, basta você entrar em uma área de sombra e não será visto, mesmo que os inimigos esteja a poucos metros de você. A possibilidade de usar dois jogadores mesmo no modo Story também foi um grande sacada (afinal, se você já tem oito companheiros na sua gangue, que que custa fazer com que um deles seja controlado por um amigo?), mas a divisão da tela pode atrapalhar a ação algumas vezes – mas também não inventaram ainda um modo muito melhor de se ter dois jogadores em jogos 3D. Claro, estes são apenas pequenos detalhes se comparados com os méritos que ele atinge.

Enfim, The Warriors é, no mínimo, um ótimo jogo. Não deve decepecionar a quem é fã do filme, e também deve agradar a quem nunca o viu mas apenas gosta de um bom jogo de pancadaria.

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