Capítulo 31

Paulo olhou sério para André, que respondeu que sim com um gesto da cabeça. Ambos se viraram ao mesmo tempo apontando suas armas para dentro do aposento.

– Parados! – gritou André, mas não havia ninguém para ouvi-lo. O local estava vazio; apenas um amontoado de móveis velhos e restos de tecidos revirados por todos os lados.

– Chegamos tarde. – disse Paulo ao colega, enquanto guardava o revólver no coldre do lado de dentro do casaco. – Perdemos a pista outra vez.

Olharam-se frustrados. André desferiu um soco na parede, fazendo um pouco de poeira cair do teto. Todo o planejamento, todo o cuidado que tiveram… E mais uma vez o grupo dos Dezoito de Ystarko fugia entre seus dedos, levando Adriana. Como era possível que estivessem sempre um passo a frente?

– Vamos ver o que conseguimos encontrar. – Paulo colocou a mão sobre o ombro de André e suspirou profundamente. O colega consentiu com a cabeça, e começou a revirar o local. Nada: apenas jornais velhos, baratas mortas, pedaços de lápis sem ponta. A saída não fora apressada; houve tempo suficiente para que nenhuma pista descuidada ficasse para trás.

– Não vamos encontrar nada. – após alguns minutos de busca André já falava com decepção, mais do que desespero. – Vamos sair logo daqui.

– Está certo. – Paulo compartilhava do sentimento do colega. Adriana também era sua amiga, e se preocupava com ela, mas, antes disso, era apenas frustrante ver os Dezoito despistarem-nos tão facilmente. Sentia-se como um cachorrinho pulando para pegar um osso que o dono segura mais alto do que pode alcançar; chegava mesmo a se perguntar se todas as pistas encontradas até então não haviam sido propositais.

Cabisbaixos, os dois caminharam devagar em direção a porta. Pararam assustados antes de cruzá-la: um telefone estava tocando. Preocupados atrás de pistas que parecessem mais óbvias, não haviam reparado na linha telefônica ainda ligada. Viraram e correram até ele; chegaram a pegar ao mesmo tempo o gancho do aparelho, antes que Paulo recuasse e deixasse André atender. Sem tirar os olhos do colega, ele o levou até o ouvido.

– Alô? – disse, sentindo um calafrio correr a espinha.

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