Escape From Hell!

Imagine que Snake Plissken, o clássico herói de ação pós-apocalíptica interpretado por Kurt Russel, foi finalmente pego pelos seus inimigos e executado friamente. Não imagino, é claro, que ele fosse para o paraíso – bem pelo contrário, desceria diretamente a algum dos níveis mais baixos do inferno. Depois de fugir de Nova Iorque, Los Angeles e, hum, Valkaria, no entanto, certamente não seria o inferno que iria segurá-lo…

Esta é a premissa básica de Escape From Hell!, de Hal Duncan. O próprio Snake Plissken não chega a aparecer, claro, mas a inspiração é bastante óbvia, tanto no tema da fuga impossível como na própria descrição do inferno imaginada pelo autor, uma versão distorcida de Nova Iorque governada por demônios e anjos caídos. No lugar do brucutu, temos quatro protagonistas: um assassino de aluguel, uma prostituta, um homossexual e um suicida sem-teto (a hitman, a hooker, a homo and a hobo, como o próprio livro os descreve), que decidem que suas não-vidas não eram exatamente muito boas e resolvem se arriscar por uma esperança de melhora.

Estes personagens são, inclusive, o elo fraco do livro. Todos são mais “tipos” do que propriamente personagens; o assassino e o sem-teto, em especial, são bastante estereotipados, apesar de o primeiro ter alguns momentos interessantes quando demonstra não ter nem o mínimo de remorso que se esperaria de qualquer protagonista de ação hollywoodiano. Por outro lado, também estão longe de serem o foco principal da história, que é muito mais a fuga alucinante que empreendem, quase um roteiro de blockbuster explosivo pronto para ser filmado.

A visão do inferno do autor é outro ponto alto, reimaginando e atualizando de forma muito criativa todas as referências clichês, de Dante à mitologia greco-romana. Como já destaquei, ele é descrito como uma visão distorcida de Nova Iorque, com ruas sujas e população decadente, administrada por demônios bem mais mundanos do que aparentam e governada por um anjo caído. Quem tiver uma visão religiosa mais ortodoxa, no entanto, pode se incomodar com alguns elementos, que assumem como verdade certas doutrinas mais próximas do gnosticismo do que das vertentes mais tradicionais do cristianismo.

A narrativa também faz um jogo muito interessante, ao enganar durante a maior parte do livro sobre o ponto de vista de quem a história é contada, uma vez que ele só faz a sua entrada triunfal na metade final. E o final, aliás, é arrasador – fecha bem o tema proposto para este volume, mas te deixa com aquela vontade sacana de ver uma continuação.

Escape From Hell!, enfim, é um livro muito divertido. De ponto fraco mesmo, eu diria que é um pouco curto demais, uma novela pequena e direta ao ponto ao invés de um grande e complexo romance. No entanto, para quem for fã de ação ininterrupta, explosões, brucutus cascas-grossas e do Kurt Russel, não há do que se arrepender.

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