Vampire Girl vs. Frankenstein Girl

Pense em um romance adolescente, em que um dos envolvidos é um colegial (seja do sexo masculino ou feminino) e o outro um vampiro (ou vampira). Você pode contar essa história pelo menos de duas formas. Se for uma dona de casa mórmon norte-americana escrevendo para garotas de treze anos e preocupada em pregar os valores do sexo só depois do casamento, provavelmente vai ficar algo parecido com a série Crepúsculo. Se, por outro lado, for um diretor japonês de filmes trash, do tipo que não tem medo de filmar banhos de sangue e assumir fetiches suspeitos por lolitas, terá algo mais próximo de Vampire Girl vs. Frankenstein Girl.

A história é baseada em um mangá de Shungiku Uchida, e conta o triângulo amoroso entre o estudante Mizushima e as suas colegas de classe Monami e Keiko. Tudo muito normal, exceto pelo fato de Monami ser uma vampira e, no dia dos namorados, ter presenteado o amado com um chocolate contendo o seu sangue, com o objetivo transformá-lo também em uma criatura da noite. Keiko, é claro, não abrirá mão dele tão facilmente, logo recorrendo ao seu pai que, além de vice-diretor do colégio onde estudam, também é casualmente um cientista maluco com o Dr. Victor Frankenstein como ídolo. E temos armada, assim, a arena onde ambas vão se enfrentar em um duelo mortal em nome do amor, com muito sangue, membros decepados e humor negro.

De maneira geral, eu diria que este filme está mais próximo de um Tokyo Gore Police do que um The Machine Girl. É bastante bem feito tecnicamente, com fotografia e figurino cuidadosos (destaque para o visual kabuki do cientista maluco), além de, com uma ou outra exceção, bons atores. Todo o enquadramento e montagem das cenas são impecáveis, resultando em algumas passagens memoráveis – como os clipes musicais do cientista louco e sua ajudante -, além de momentos de uma notável beleza plástica – em especial a vampira daçando sob a chuva de sangue, uma daquelas cenas capazes de abrir sorrisos involuntários pela combinação perfeita que faz entre imagem e música. A seleção da trilha sonora, aliás, também é bem interessante, com uma coleção de canções j-pop bastante animadas constantemente tocando ao fundo (embora troque para algo mais pesado nos momentos de ação), que ajudam o filme a não se levar a sério e a criar um clima divertido de comédia romântica adolescente.

Mesmo considerando o aspecto tripas explodindo e membros voando, este é um filme mais comedido que outros do mesmo gênero. Não há intestinos arrancados inteiros, membros, er, “íntimos” de aparência monstruosa, nem jatos ácidos disparados pelos mamilos. Ainda temos todas as transformações corporais em armas e equipamentos bizarros, bem como as chuvas de sangue a cada braço decepado, mas eu diria que em geral não é muito mais do que você já viu no primeiro Kill Bill, por exemplo. Ele de fato se concentra (um pouco) mais em contar uma boa história e desenvolver os personagens, mesmo que em um tom exagerado e caricato, e quem quiser se esforçar pode até pegar alguma crítica ao bullying e outros desvios de comportamento estudantis.

No fim das contas, Vampire Girl vs. Frankenstein Girl é um filme bem divertido, e que eu recomendo. Sempre há quem vá reclamar do excesso de sangue e transformações corporais absurdas, mas o fato é que há mais nele além disso – ainda que esse aspecto todo, é claro, não seja descartável na experiência que ele proporciona.

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