Entre-Goles

Sentou no bar, e olhou em volta. As pessoas, os sons, os movimentos formavam uma atmosfera vertiginosa – um grande redemoinho de vivacidade da qual ele era o centro, envolto por tudo mas intocado, imune aos seus efeitos.

No tempo em que nada nos dividia, – cantava uma banda. – havia motivos pra tudo, tudo era motivo pra mais.

Ele ouvia, parado, olhando para todo lugar, mas enxergando um lugar-nenhum.

Era perfeita simetria: éramos duas metades iguais.

Entre um gole e outro da mesma bebida, ele percebeu: aquilo era ele, aquele era ele. Sem ninguém, sem nada; sem destino ou ponto de partida, sem solidão ou companhia.

Ele era nada.

Ele era ninguém.

Bebeu outro gole, e olhou para o mesmo nenhum lugar.

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1 Response to “Entre-Goles”


  1. 1 Rafaela 08/08/2010 às 17:41

    “havia motivos pra tudo, tudo era motivo pra mais”

    pena eu não ter nascido nesse tempo.


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