A Oficina

A pequena construção de madeira destoava dos gigantes de concreto em volta, tornando-a naturalmente destacada. O viajante se aproximou, curioso, e viu a pequena placa em frente à porta: Oficina; entre sem bater. Entrou.

O interior era desorganizado e sujo. Em cada canto se amontoavam palavras desconexas e inexistentes, baldes de letras separadas se espalhavam pelos aposentos, idéias estavam penduradas nas paredes, como que secando e amadurecendo. O viajante caminhou pelo local, a cada instante parando para observar uma obra inacabada, um soneto que lhe chamava a atenção, um parágrafo de arestas irregulares.

Percorreu o corredor de conceitos esparramados, e chegou a uma pequena sala onde um operário trabalhava juntando letras em palavras, palavras em frases e frases em parágrafos. Usava uma máscara de ferro para proteger o rosto, pois o lápis faiscava criatividade a cada rabisco na folha, e um avental sujo com as idéias não aproveitadas que escorriam da mesa de trabalho. Ao notar o viajante, virou-se para ele, levantando a proteção e revelando o rosto cansado.

– Procurando alguma coisa em especial?

– Desculpe. – o viajante se virou de volta para a saída. – Acho que entrei em um clichê.

– E quando já esteve fora de um? – o operário baixou a máscara e voltou à fundição das palavras, enquanto o viajante silenciou. Deu mais uma olhada no material que havia em exposição e saiu de lá com algumas linhas de prosa pretensiosa. Atravessou a rua, e entrou em um restaurante cuja placa na entrada lia Prato do Dia: chavões ao molho de mostarda.

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