Lev Grossman e a Depressão

Um texto recente no blog do Lev Grossman, colunista da Time e autor do livro The Magicians, fala de algumas experiências dele quando tinha seus vinte e poucos anos, tinha saído da faculdade e começava a tentar ganhar a vida; um texto anterior também já tinha explorado algumas experiências semelhantes, falando de quando ele se isolou no estado do Maine pra tentar escrever um livro. Ler estes relatos foi de certa forma catártico pra mim, em parte porque eu me sinto atualmente em uma situação muito semelhante, e, à parte por diferenças óbvias de contexto, conseguia me ver muito bem em cada parágrafo e entendia perfeitamente cada atitude que ele dizia tomar. E é curioso como eu também conheço um punhado de gente que provavelmente se identificaria com os casos contados.

Isso me remete a uma das histórias autobiográficas do Robert Crumb no livro Minha Vida, em que ele relembra um pouco de como foram os “loucos anos 60” pra ele. Em um determinado momento, ele comenta que os pais dele e de outros jovens da época contavam histórias de suas participações na guerra, em especial a Segunda Guerra Mundial, enquanto eles agora contam histórias sobre uso de LSD e outras drogas de alteração da consciência como as principais experiências que marcaram a sua juventude. O que me lembra também algumas das histórias que eu já ouvi dos meus próprios pais, falando de como foram os vinte e poucos anos deles durante os “loucos anos 80”.

Às vezes eu me pego imaginando que tipo de histórias eu vou contar para os meus filhos. A conclusão que eu chego é que elas muito provavelmente serão parecidas com as do Grossman – ao invés de falarem sobre experiências de guerra ou drogas, falarão sobre solidão, sobre se sentir sem rumo na vida, e sobre estar desperdiçando os anos de juventude. Serão histórias de depressão.

Parece um pouco lógico, até, quando se para pra pensar a respeito: uma geração de soldados criados na rigidez da guerra e dos valores tradicionais foi seguida por uma geração de rebeldes e drogados, que, por sua vez, precedeu uma geração de solitários sem rumo. Sei que dificilmente isso também valha para os meus amigos em situação semelhante, mas eu me sinto um pouco intimidado ao pensar nessas histórias dos meus pais. É engraçado lembrar que eles, com a minha idade, já tinham dois filhos; faz eu pôr muita coisa em perspectiva.

Mas enfim, talvez também não dê para generalizar. Conheço um punhado de gente em situação parecida, mas é um pouco de pretensão minha querer chamar esta de a “geração da depressão”. Só sei que muitas das minhas histórias na velhice muito provavelmente começarão com um então, eu tava na maior fossa…

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