Meu Amor é um Vampiro

Antes de mais nada, é sempre bom ressaltar a masculidade e hombridade deste blog e do seu autor. Sou adepto das ideias do grande filósofo do século passado, Seu Madruga, segundo o qual um homem deve ser feio, forte e formal; uma boa história pra mim tem que envolver sexo casual, tiroteios, explosões, socos, chutes, e, se sobrar espaço (mas sendo evidentemente um elemento descartável), alguma reflexão filosófica genérica sobre a natureza da vida. Apesar disso, no entanto, também não sou um completo bruto e insensível – é preciso ser homem também para reconhecer que há mais além testosterona pura no mundo, e saber admitir quando se é tocado de alguma forma por uma história mais, assim, sensível. Já fiz isso antes por aqui, aliás, mais de uma vez até.

De qualquer forma, se me pedissem para recomendar uma história sobre vampiros, e ainda mais uma que envolvesse algum tipo romance, eu provavelmente indicaria sem pensar essa aqui como o que de melhor já foi feito no tema. Meu Amor é Um Vampiro, no entanto, coletânea de contos organizada por Eric Novello e Janaína Chervezan, também mereceria uma meção honrosa por vários motivos – o primeiro deles o fato de eu ser amigo de algumas das autoras, que me cobram essa resenha há algum tempo, mas não só ele, evidentemente.

Os contos em geral possuem visões bastante heterogêneas a respeito das lendas vampíricas. Não há nada tão extremo quanto brilhar como purpurina à luz do sol, claro, mas temos algumas quebras de paradigmas bem interessantes mesmo assim. Isso pode bem desagradar alguns puristas, e eu até me peguei perguntando algumas vezes o que uma pré-adolescente fã de Crepúsculo pensaria de algumas das histórias; mas, a bem da verdade, também é parte da riqueza da coletânea, tornando-a mais interessante ao resto do público.

Assim, há desde histórias açucaradas com um pé mais fundo na fantasia e nos seres místicos, com direito a fadas, dragões e bruxos (em A primeira noite de neblina, de Adriana Araújo, e O presente, de Valéria Hadel), até histórias mais violentas e sensuais, com muito sangue e torsos descamisados (O vermelho do teu sangue, de Cristina Rodriguez). No meio disso tudo, temos espaço para uma viagem à Inglaterra vitoriana com um certo quê de Hellsing (Meu Amor Eterno, de Ana Carolina Silveira), alguns romances mais juvenis (O Rosa e O Negro, de Nazarathe Fonseca, e Feio como a Fome, de Regina Drummond), e algumas interpretações mais curiosas dos mitos vampíricos (O Vampiro Genérico, de Rosana Rios, e Nix, de Giulia Moon). Pessoalmente, no entanto, achei que a melhor história foi Sede, de Helena Gomes, que tem como protagonista o ajudante de um vampiro ancião, e conseguiu me cativar com a sua paixão platônica proibida.

Um ou dois contos estão um pouco abaixo dos demais, mas a média geral no fim até que é bem positiva. Descontando-se aí o excesso de açúcar (não é um livro recomendado para diabéticos), são histórias bem concebidas e narradas, e que podem ser boas leituras para qualquer um que goste dos sugadores de sangue. E em último caso, claro, para quem for macho demais para esse tipo de coisa, ainda pode ser um bom presente pra namorada.

1 Response to “Meu Amor é um Vampiro”


  1. 1 Ana Carolina Silveira 08/12/2010 às 13:48

    Que bom que você gostou!


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