Hetalia: Axis Powers

Hetalia: Axis Powers, de Hidekaz Himaruya, é atualmente um dos líderes de vendas dos mangás no Japão, trazido para o Brasil em uma edição muito caprichada da New Pop Editora, com direito a algumas páginas coloridas e papel mais resistente do que o padrão dos mangás nacionais. Ele conta a história das duas guerras mundiais e outros conflitos da virada do século passado de uma forma muito peculiar – cada país, aqui, é representado por um personagem, sendo os protagonistas aqueles que formaram o Eixo na Segunda Guerra Mundial: Itália, Alemanha e Japão.

A premissa é bem polêmica, e o resultado final não fica atrás. Cada “personagem” é caracterizado segundo estereótipos nacionais – temos uma Alemanha metódica e organizada, um Japão tímido e formal, etc. Alguns podem parecer um tanto ofensivos, como o dos Estados Unidos (chamado genericamente de América) e o da Itália, por exemplo; a série chegou a ser proibida em alguns países por causa disso, como na Coréia do Sul. Pelo menos no primeiro volume, no entanto, os temas mais delicados das duas guerras, como o holocausto judeu, foram sabiamente evitados.

Claro, isso só deve incomodar mesmo polemistas chatos, e eu pessoalmente me considero uma pessoa com algum senso de humor. O problema mesmo é que boa parte das piadas se apoia pesadamente nestas caracterizações, e não existe humor mais cansativo do que o de estereótipos – certo, você ri na primeira ou segunda vez, talvez até um pouco mais se conhecer alguém que se encaixa no modelo retratado; mas lá pela quarta ou quinta o máximo que você consegue fazer é um “huh” antes de virar a página. Os melhores momentos do volume, ao menos na minha opinião, são justamente quando a história se desvia desse foco, como na apresentação, com a descrição do herói misterioso que conquistou toda a Europa e desapareceu, o lendário Império Romano, ou a história em que o América relembra as lutas da sua Independência da tutela do Inglaterra.

O lado histórico é um pouco confuso, provavelmente devido ao formato original de webcomic; o autor não devia ter um roteiro muito definido quando começou a série e apenas foi desenhando as histórias à medida que as ideias surgiam. Isso significa que há muitas idas e vindas cronológicas – você está no meio da crise do entre-guerras quando de repente há uma referência a uma guerra do início do século XX, seguida por uma batalha da Primeira Guerra Mundial, então um acontecimento político do século XIX, e daí por diante. Em geral, no entanto, são referências bem pesquisadas (ao menos quando não se apoiam puramente nos estereótipos dos personagens), e até há citações a eventos e batalhas não muito conhecidos do público maior, de forma que pode ser uma forma de aumentar um pouco a cultura de alguns leitores.

A arte é irregular. O formato das histórias não é o de uma grande saga, com início, meio e fim, mas o de piadas curtas, como em tiras de quadrinhos para jornais. A maioria dos desenhos parecem apenas rascunhos, sem ao menos uma arte-final; a exceção é quando há uma história um pouco maior, ocupando várias páginas, e nesse caso ela chega a ficar bastante boa. Destaque também para as páginas iniciais coloridas, que ficaram bem bonitas.

Enfim, Hetalia: Axis Powers é certamente um lançamento de peso, devido à toda polêmica em torno da sua premisa e também do sucesso que faz lá fora. Pessoalmente, no entanto, eu não me impressionei muito, mas é possível sim ver algumas qualidades que alguém que goste de história ou geografia talvez ache interessantes.

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